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Política

Nacionalização do Novo Banco? “Só se quisermos atrair todas as atenções negativas do mundo”

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HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

Pedro Passos Coelho diz que “a última coisa que interessa é andar a falar de reestruturação de dívida, de nacionalização de bancos ou da nacionalização da TAP”

Marta Caires

Jornalista

O PSD está contra a uma eventual nacionalização do Novo Banco e Pedro Passos Coelho considera a hipótese mais um fator de instabilidade para Portugal. A possibilidade foi já admitida pelos socialistas, mas o líder dos sociais-democratas alerta que uma decisão nesse sentido só iria abalar a confiança no país. “Se quisermos atrair todas as atenções negativas do Mundo é discutir a nacionalização da banca, a reestruturação da dívida, a nacionalização da TAP”.

De visita à Madeira para uma sessão de esclarecimentos aos militantes, Pedro Passos Coelho voltou a insistir que estes temas – nacionalização de bancos, da TAP e dos transportes públicos de Lisboa e Porto - “fragilizavam ainda mais o estado português” e minam “a confiança nas reformas que foram feitas nos últimos anos com muito sacrifício”. No caso do Novo Banco, o líder do PSD mostrou-se surpreendido com a possibilidade de nacionalização estar em debate ao mesmo tempo que se tenta vender e recuperar os quase cinco mil milhões de euros que o Fundo de Resolução investiu.

“É uma conversa que eu tenho muita dificuldade em perceber”, admitiu o presidente do PSD, que aproveitou a passagem pela Madeira para visitar duas empresas: uma de vinhos e outra de flores. E foi numa estufa de antúrios que Passos Coelho pediu a António Costa e ao Governo para pensar bem. “O país devia estar, nesta altura, interessado em criar condições de maior confiança para atrair o investimento externo, para poder vender como deve ser o novo banco, para ter investidores na TAP que pudessem garantir a sobrevivência da empresa, investidores que tomassem conta dos transportes urbanos de Lisboa e Porto para evitar a perpetuação de dívida suportada pelos impostos dos contribuintes. Estamos a fazer tudo ao contrário”.

Se se mantiver a linha, o líder social-democrata alerta para o perigo de manter “o país perto de um abismo de falta de confiança”. O que é ainda mais estranho, lembrou, pois esse foi um caminho seguido por Portugal no passado e com maus resultados. Ainda assim, Passos Coelho, que viu flores e provou Vinho Madeira de 1894, deixou claro que não quer “criar no país um clima de agitação”, apesar de ter votado contra o Orçamento de Estado e de não concordar com a linha do Governo. A estabilidade do Governo não depende do PSD, mas das alianças da esquerda na Assembleia da República.

A visita do presidente do PSD e antigo primeiro ministro, que incluiu um almoço, foi acompanhada por Miguel Albuquerque num clima de muita cordialidade. O desentendimento a propósito do Orçamento Retificativo e do Banif – que os deputados da Madeira votaram a favor – está sanado, o processo disciplinar, garantiu Passos Coelho, é apenas um procedimento normal, “são as regras dos partidos”. As boas relações entre a Madeira e Lisboa não foram beliscadas.

Pelo menos da parte do líder que, os militantes, esses tiveram a oportunidade de falar a Passos Coelho numa reunião à porta fechada na sede do PSD-Madeira. O actual líder é também candidato a líder do partido e foi nessa qualidade que se encontrou com os militantes madeirenses, onde se veio apresentar como reformista que quer “um país mais aberto, mais inovador, mais competitivo, que pode produzir mais, gerar mais riqueza e ter menos desigualdades sociais e económicas”. O antigo primeiro-ministro não tem dúvidas: “o país continua a ser muito desigual e convém atacar as raízes dessas desigualdades”.