Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Mariana Mortágua: “Esta não é a melhor altura para vender bancos”

  • 333

Luís Barra

Num dia em que o PS admitiu a nacionalização do Novo Banco - que apresentou prejuízos de €980,6 milhões -, a deputada lembra que os bloquistas defendem há muito o controlo público da banca

Depois de João Galamba, deputado do PS, ter admitido que nacionalizar o Novo Banco (NB) não está fora de hipótese e de, logo a seguir, o CDS/PP, através de João Almeida, reagir afirmando que seria um erro enveredar por esse caminho, Mariana Mortágua veio afirmar que “esta não é a melhor altura para vender bancos” e que há muito que o BE “defende o controlo público da banca”.

Mortágua argumenta que o NB já está há venda há muito tempo”, que “quanto mais se fala em vender mais o valor do banco se degrada” e recorda que Sérgio Monteiro foi contratado por um “salario milionário” para vender o antigo BES, sem sucesso. “Como é que nós podemos sequer almejar a ter uma economia que se desenvolva e ter algum tipo de política económica se não temos controlo sobre o nosso sistema bancário?”, pergunta a bloquista, para concluir que “é preciso contrariar a ideia de que vender um banco é sempre positivo”.

A deputada do BE diz não perceber como se acha preferível “pagar para vender um banco” - como aconteceu com o Banif - a ter o controle sobre a banca. “Temos de sair da caixa da ideologia e pensar enquanto sociedade no que nos interessa do ponto de vista dos instrumentos económicos para o futuro, antes que seja tarde demais e antes que tenhamos todo o sistema bancário controlado pelos interesses angolanos ou por fundos de investimento americanos ou por fundos especulativos e de capital de risco sobre os quais não temos nenhum controlo”, concluiu.

A sequência de declarações surge depois de o PCP ter apresentado terça-feira, durante o debate na generalidade do OE 2016, a proposta de nacionalização do NB, uma ideia já veiculada por Vitor Bento, ex-presidente do NB.

Pelo lado do PS, João Galamba - que deu uma entrevista à TSF - sublinha entanto que a nacionalização seria a ultima solução dos socialistas, que preferem a venda. “Se não houve nenhuma oferta que proteja os contribuintes e que seja uma oferta positiva, que dê viabilidade ao banco, se não houver nenhum comprador com uma oferta razoável, se calhar o melhor é mesmo ficar na esfera pública”, justificou.

Os centristas são contra e o vice-presidente do CDS/PP sublinha que admitir a hipótese de nacionalização “é desde logo admitir uma hipótese de falhanço” e até “desvalorizar o valor de possível venda do banco”. João Almeida diz que é preciso “ter cuidado com as nossas declarações”, senão “é mais difícil vender o banco”.