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Governo assume negociações com lesados do BES

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JULIEN WARNAND

O Executivo chamou a si as negociações com os lesados do BES. Diogo Lacerda Machado, amigo do primeiro-ministro, vai liderar dossiê

O primeiro-ministro tomou conta do dossiê lesados do BES. António Costa indicou Diogo Lacerda Machado, seu amigo e homem de confiança, para liderar as negociações entre o Banco de Portugal (BdP) e a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) com vista a chegar a um entendimento com os lesados.

Dia 19 de fevereiro, o BdP, Diogo Machado e a CMVM reuniram-se com o objetivo de estabelecer uma linha de orientação no diálogo com os lesados. Definida a linha, foi então marcada uma reunião para negociar com os lesados.

Diogo Machado foi secretário de Estado da Justiça quando António Costa liderou essa pasta no último Governo de António Guterres. E mais recentemente foi quem o primeiro-ministro indicou para ajudar no dossiê da TAP, como consultor, processo que concluiu com êxito. Contactado pelo Expresso, Diogo Machado preferiu não comentar a situação.

Agora, assume outro dossiê quente e que se tornou num assunto político.

A intervenção do Governo neste tema é agora mais vincada. Mas no final do ano o Executivo já tinha avançado com a criação de um grupo de trabalho para negociar uma solução para os lesados do BES.

O BES foi alvo de uma resolução em agosto de 2014 e muitos investidores perderam os seus investimentos, nomeadamente os que aplicaram poupanças em papel comercial do Grupo Espírito Santo.

HOMEM DE GOUVEIA / LUSA

PM culpa BdP

No passado dia 17, o primeiro-ministro acusou o BdP de impedir uma solução para a situação dos lesados do BES. O chefe do Governo afirmou que considera “a todos os títulos lamentável” que a administração do BdP esteja a impedir que a solução proposta pelo Governo e aceite pela maioria dos lesados do BES seja logo implementada.

O primeiro-ministro acusou o supervisor de estar “a arrastar uma decisão” sobre os lesados. “Tenho que lamentar a forma como a administração do BdP tem vindo a arrastar uma decisão sobre a matéria, a impedir que rapidamente a solução proposta pelo Governo e aceite pela maioria dos liados do BES pudesse estar já implementada”.

Acrescentou que espera que “tão rapidamente quanto possível o BDP assuma a postura responsável que todas as entidades públicas e privadas estão disponíveis assumir”.

[Texto publicado na edição do Expresso Diário de 18 de fevereiro]