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Vieira da Silva olhou para a bancada do PSD e viu “um primeiro-ministro no exílio”

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Marcos Borga

Começou tudo com uma troca de palavras entre o deputado do PSD Adão e Silva e o ministro. Vieira da Silva aproveitou uma pergunta do social-democrata para analisar a situação de Passos Coelho

Questionando esta terça-feira à tarde o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, durante o segundo e último dia do debate na generalidade sobre o Orçamento do Estado, Adão e Silva acusou o PS de estar a levar a cabo “operações de cosmética”.

O deputado social-democrata considera que o PS dera a entender que daria lugar a uma “criação apoteótica de emprego”, mas segundo as previsões que apresentou o emprego crescerá apenas 0,8% em 2016, o que representa um terço do que cresceu em 2015, enquanto as despesas com a Segurança Social vão aumentar 5,7%. “Como é que um crescimento de emprego tão baixo tem um crescimento de despesas tão elevado?”, questionou.

O deputado social-democrata perguntou ainda como é que uma queda tão acentuada da despesa com o subsídio de desemprego se compatibiliza com as críticas que os socialistas fizeram no passado. O ministro Vieira da Silva respondeu que gostaria que o crescimento do emprego fosse maior, mas que, ao contrário do que aconteceu anteriormente, “o que vai crescer em 2016 não vai estar tão dependente da subsidiodependência e (…) não estará dependente de tantos empregos falso, de tantos estágios pagos a peso de ouro”.

Vieira da Silva considera que “falta substância” às intervenções do PSD neste debate, levantando a hipótese de tal se dever a “ainda não terem aceitado as regras da democracia” e de terem na bancada “alguém que parece ser um primeiro-ministro no exílio”.

Em relação à Segurança Social, o ministro disse ainda que “a crise produziu profundos impactos” com a perda de “mais de meio milhão de postos de trabalho” e de “3 mil milhões de euros de receita” e que será necessária “uma recuperação económica forte e consistente para se começar a ter uma Segurança Social com mais sustentabilidade”.

O deputado PS Tiago Barbosa Ribeiro disse que o seu partido não entra no “campeonato de expiação de culpas do passado, acusando o PSD de estar a “entrar em histeria”.

José Soeiro, do Bloco de Esquerda, anunciou que na fase do debate na especialidade irão propor o aumento do segundo e terceiro escalão do abono de família, questionando o ministro se vão apoiar a proposta. Vieira da Silva respondeu que partilha da preocupação com a pobreza infantil, manifestando-se por isso disponível para discutirem essas propostas do Bloco de Esquerda.