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Passos: “Austeridade não é de esquerda ou direita, é o que sobra quando falta o dinheiro”

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Marcos Borga

Antigo primeiro-ministro acusou o Governo de “tirar disfarçadamente com uma mão” o que dá com a outra. Para Pedro Passos Coelho, o OE é “mau e um presente envenenado para os portugueses”

"Tudo não passou de encenação", começou por garantir Passos Coelho sobre as declarações de António Costa antes deste ir a Bruxelas negociar o Orçamento. Esta terça-feira, na fase de encerramento do debate na generalidade do OE 2016, o antigo primeiro-ministro sublinhou que os responsáveis pelo documento são exclusivamente a “maioria socialista, bloquista, comunista e 'verde” e, por isso mesmo, o PSD não apresentará propostas de alteração.

“Não apresentaremos alterações a este Orçamento, pois não tem arranjo possível. É legítimo que quem governa o faça com as suas escolhas e não com as escolhas da oposição”, disse.

Para o líder dos sociais-democratas, o documento que está em discussão é “mau e é um presente envenenado para os portugueses”, que deixa o país “mais vulnerável” às crises externas e “não faz o que é preciso para melhorar o crescimento no futuro”. E tira “disfarçadamente com uma mão” para dar com a outra.

“A proposta orçamental passou de expansionista a restritiva, nova palavra socialista para designar austeridade. Mas uma austeridade melhor, dizem, já que tem a marca socialista, bloquista, comunista e 'verde'. E, como sabemos, para a nova maioria, verde, comunista, bloquista e socialista, o seu Orçamento só pode ser ideologicamente melhor e mais puro do que qualquer outra coisa que já tenha existido”, afirmou Passos Coelho. “No fundo, sabem que a austeridade não é de esquerda ou direita. É o que sobra quando falta o dinheiro”, acrescentou.

Os dez dias que o Governo teve para alterar o esboço de orçamento, segundo o ex-primeiro-ministro, não foram suficientes, pois o “resultado deixou tanto a desejar”. Em Bruxelas, a “reputação e a credibilidade amealhadas” foram abanadas.

Passos Coelho aproveitou ainda a intervenção para responder às acusações de que a direita “manchou o nome de Portugal” em Bruxelas. “[O primeiro-ministro] julga que acusando, insinuando, denegrindo o seu antecessor, resolve o seu problema de poder ser visto como quem usurpa o que não conseguiu conquistar por direito próprio”.

As acusações não se ficaram por aqui. “Fica-me, com alguma ironia, a satisfação de verificar que parece que, juntamente com o 'passismo' - que não sabia existir e o sr. pretendeu ontem criar -, sou involuntariamente um fator relevante de estabilidade para o Governo de Portugal”, continuou Passos Coelho. “Estou, desproporcionada, imerecida e ironicamente a transformar-me no principal elemento de agregação e união da curiosa diversidade partidária da maioria que o sustenta.”