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“O Conselho Europeu foi vergonhoso”

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Paz Ferreira, presidente do Instituto Europeu da Faculdade de Direito, considera que decisão tomada pelo Conselho sobre o Brexit põe em causa projeto europeu

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Tiago Miranda

O Conselho Europeu que chegou a acordo para tentar evitar o Brexit tomou uma "decisão desastrosa, que descaracteriza por completo a União Europeia", disse esta terça-feira o professor Eduardo Paz Ferreira no encontro "Olhares sobre a União Europeia", promovido pelo Instituto Europeu na Fundação Gulbenkian.

No encontro, onde foram oradores Eduardo Lourenço e Paulo Pitta e Cunha, foi abordada a crise europeia, mas foram sobretudo as palavras de Paz Ferreira que puseram o dedo na ferida. "Foi uma decisão infelicíssima", reafirmou o professor de Direito, que é também presidente do Instituto Europeu da Faculdade de Direito de Lisboa e disse não ter compreendido completamente o sentido das alterações que foram produzidas.

"Pode ser o princípio dos dias do fim", reiterou depois ao Expresso o professor: "agora temos uma Europa à la carte".

Para Paz Ferreira, a liberdade de circulação dos trabalhadores foi seriamente atingida pela disposição sobre a segurança social, ao não conceder durante quatro anos os benefícios aos trabalhadores estrangeiros, constituindo por isso um "travão à Europa social".

"O mecanismo criado, que permite que outros Estados possam recorrer a ele, permite-nos perguntar, aonde vai parar esta Europa", disse ainda o professor, para quem este Conselho Europeu foi "vergonhoso".

Anteriormente, Eduardo Lourenço tinha falado em termos genéricos sobre os problemas que a Europa enfrenta e o seu grande "desafio" atual, que é a emergência da ameaça islâmica, que coloca até Portugal no centro desse espaço islâmico que os mais fanáticos pretendem recuperar.

Já Paulo Pitta e Cunha fez uma abordagem histórica dos problemas europeus, considerando que hoje está em causa a própria desagregação europeia, "cujo potencial aumentou nos últimos anos".

"A União Europeia renunciou a tornar-se numa superpotência por falta de poder militar e de interesse dos Estados e das suas opiniões públicas, que se viraram para um nacionalismo e provincianismo exacerbado", afirmou o antigo professor.