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Guterres. “As elites nacionais não estão à altura dos portugueses”

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Marcos Borga

António Guterres e Durão Barroso concordam: Portugal é visto aos olhos dos estrangeiros como um “país pobre e atrasado”, que oscila entre o “complexo de inferioridade” e a “exaltação nacionalista”. As opiniões dividem-se quanto à solução governativa. O que não seria de estranhar

Parece contraditório. Há dois pesos e duas medidas dentro e fora do país. “Os portugueses são extremamente apreciados pelas suas capacidades [no estrangeiro] mas os mesmos portugueses não conseguem essa apreciação em Portugal. Só pode ser uma questão de liderança”, defendeu António Guterres, na noite desta segunda-feira, no debate com Durão Barroso, uma iniciativa promovida pela Fundação Manuel dos Santos e a RTP.

O candidato à liderança da ONU não tem dúvidas: “As elites portuguesas não estão à altura dos portugueses que temos.”

Num ponto, António Guterres e Durão Barroso estão em sintonia: os estrangeiros olham ainda para Portugal como um “país pobre e relativamente atrasado”, que oscila entre o “complexo de inferioridade” e a “exaltação nacionalista”.

As opiniões divergem, no entanto, quanto à solução governativa encontrada. Se para Guterres mais importante do que a fórmula é a necessidade de êxito das políticas do atual Executivo, para Barroso é vital que o país não recue, o que na sua visão se torna complicado, uma vez que está em causa um Governo minoritário apoiado pelos partidos contra o consenso europeu.

“As pessoas em Portugal têm sofrido muito. É importante que as coisas corram bem”, considerou António Guterres.

“Seria o mesmo se fosse o PS a ganhar e fosse formado um Governo minoritário contra o consenso europeu. Este Governo não tem condições de sustentabilidade daquilo que é necessário para o país. Era importante que o país não voltasse atrás. Custou muito sair do ajustamento”, defendeu por sua vez Durão Barroso.