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Arménio Carlos: “Os trabalhadores pagaram a crise que outros provocaram”

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Inácio Rosa / LUSA

Arménio Carlos não poupa nas críticas ao anterior Governo de Passos Coelho, dizendo que a direita “não negociava” com os trabalhadores. Sobre o Orçamento de Estado para 2016, o secretário-geral da CGTP reconhece uma inversão na austeridade mas considera as medidas “insuficientes”

Para o secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, foi o movimento sindical feito nos últimos quatro anos que levou à queda do Governo PSD/CDS. "O movimento sindical deu um contributo inestimável para a fragilização da base social e eleitoral do Governo, que depois se veio a traduzir na sua própria demissão no ano passado", disse o líder sindical, em entrevista dada à agência Lusa.

Arménio Carlos considerou que os portugueses viveram um período "muito doloroso", mas resistiram com "grande dignidade" à troika e à política de direita. Para o responsável da CGTP, a crise económica foi um pretexto para atacar os direitos dos trabalhadores e reitera que "tiveram que ser os trabalhadores a pagar a crise que outros provocaram".

O secretário-geral da central sindical tece ainda duras críticas às medidas laborais do anterior governo, na medida em que o anterior governo não negociava, mas impunha medidas em benefício dos patrões.

"Não houve nenhum documento aprovado nos últimos quatro anos em concertação social que tivesse um conteúdo positivo para os trabalhadores", diz Arménio Carlos. "Todos os acordos foram sempre no sentido de favorecer as entidades patronais a pretexto da competitividade das empresas e reduzir direitos e, simultaneamente, rendimentos aos trabalhadores."

Sobre a proposta de Orçamento do Estado para 2016, Arménio Carlos considera que inverte o ciclo de austeridade aplicado pelo anterior governo, na medida em que redistribui "de outra forma" os dinheiros disponíveis, mas as medidas para lá chegar são ainda "insuficientes". "É evidente que este Orçamento do Estado fica aquém do que nós precisamos para responder aos problemas de ordem laboral e social do conhecimento de todos."

A poucos dias do XIII Congresso da CGTP, o seu líder entende que, à luz do novo quadro político, "tem necessariamente de haver uma mudança" que passa por "uma outra forma de negociar e de dialogar". "Se assim não for, então a mudança faz-se por palavras, mas não por atitudes e políticas. A experiência que temos do anterior governo é conhecida, não se negociava. As propostas apareciam na mesa já previamente acordadas com outros parceiros e não havia a preocupação de equilibrar os conteúdos dos documentos", denunciou.

O líder sindical adianta que "tem de haver uma outra abertura para o diálogo e para a negociação" que vá para além da concertação social, algo que leve a um diálogo bilateral com o Governo. "Não podemos ficar prisioneiros da concertação social e das pressões que as confederações continuam a exercer sobre o Governo para manter privilégios que conquistaram nos últimos quatro anos", rematou Arménio Carlos.

Arménio Carlos prepara-se para o seu segundo e último mandato na liderança da CGTP e está convicto de que os próximos quatro anos vão ser um desafio aliciante para o movimento sindical.