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Costa explica o que é o “passismo” e aquece o Parlamento

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Marcos Borga

No debate do Orçamento na Assembleia da República, esta segunda-feira, o primeiro-ministro referiu-se ao "passismo" – forma de designar a liderança de Passos Coelho no PSD – como "simplesmente uma nova versão de passadismo, a incapacidade de se libertar do passado”

António Costa reconhece que o Orçamento do Estado (OE) para 2016 é "exigente", mas sublinha a confiança no ministro das Finanças Mário Centeno não como um "ato de fé", antes na "prova provada" dos dados económicos.

Costa falava tarde no Parlamento na abertura do debate na generalidade do OE para 2016 e respondia ao líder parlamentar do PS Carlos César, que havia destacado o "alto significado político" de a proposta de Orçamento ser aprovada na generalidade com votos favoráveis de PCP e Bloco de Esquerda (BE).

"Como há perto de dois anos o senhor primeiro-ministro dizia e bem, defendemos que o conceito de arco de governação com critério de exclusão à esquerda não poderia ser nunca um fator de enriquecimento e envolvimento na nossa democracia. Rompemos com esse bloqueio histórico", vincou o chefe da bancada socialista.

Posteriormente, Carlos César atacou a direita e a sua exclusão do debate e de propostas: "À direita encontra algum critério de exclusão que não seja a ela imputável?", questionou o socialista, dirigindo-se ao primeiro-ministro.

Depois, António Costa advogou que o "passismo" – forma de designar a liderança de Passos Coelho no PSD – "é simplesmente uma nova versão de passadismo, a incapacidade de se libertar do passado".

A ofensiva do chefe do Governo mereceu comentários em tom exaltado de vários deputados do PSD, o que motivou inclusive o presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, a pedir serenidade aos parlamentares.

"O PPD/PSD exclui-se do debate porque já tem vergonha do que pensa e ainda não é capaz de algo de novo em relação ao que pensava", disse ainda o primeiro-ministro, que não incluiu nestas críticas o CDS, parceiro dos sociais-democratas no anterior Governo.

A proposta de OE para 2016 começou esta segunda-feira de tarde a ser discutida na Assembleia da República, depois de Os Verdes, BE e PCP terem anunciado nos últimos dias que vão votar favoravelmente o documento, na generalidade, enquanto que PSD e CDS vão votar contra.

A proposta de OE 2016 seguirá, depois, para apreciação na especialidade, com debate marcado para 10, 14 e 15 de março. A votação final global está marcada para 16 de março.