Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Marques Mendes. Críticas de Costa foram “um presente inesperado” para o Governador do BdP

  • 333

Marques Mendes é comentador de política da SIC

DR

Marques Mendes diz que o primeiro-ministro “não devia ter dito o que disse” em relação a Carlos Costa, mas defende que o Banco de Portugal “não tem feito muito pela sua imagem”. O comentador fala ainda da tentativa de “espanholização da banca portuguesa” que o BCE está a fazer

Luís Marques Mendes vê nas críticas que o primeiro-ministro fez esta semana ao governador do Banco de Portugal um “presente inesperado” para Carlos Costa, “porque isto reforçou o seu lugar”, disse este domingo durante o seu comentário habitual na SIC.

“O objetivo do primeiro-ministro era claramente de fragilizar mais o governador e fazer com que ele tomasse a iniciativa de sair. Os lesados do BES foram uma espécie de pretexto para esse efeito. Saiu tudo ao contrário”, afirmou Marques Mendes, defendendo que o governador não deve abandonar o cargo.

“Se Carlos Costa pensava em sair, acho que já não sai. Se sair, já não é por iniciativa própria, já será sempre visto como se tivesse sido empurrado. Se agora sair, o que se vai dizer é que foi o Governo que deu uma machadada na independência do Banco de Portugal, que é uma entidade independente”, afirmou. “Mais ainda, o governador que viesse a seguir era uma marionete política.”

O ex-líder do PSD defende que António Costa “não devia ter dito o que disse”. Contudo, apesar de achar que o primeiro-ministro não esteve bem nas declarações que fez, acrescenta que isso “ não significa que o Banco de Portugal (BdP) tenha andado bem”.

“O BdP não tem feito muito pela sua imagem, que tem estado a degradar-se. A estratégia de comunicação do banco é um desastre”, afirmou. “A maior parte das pessoas não sabe o que o Banco pensa sobre os lesados do BES. Ninguém sabe por que razão a solução do BES foi num sentido e a do Banif noutro.”

Marques Mendes acredita que o Banco de Portugal tem de “mudar no plano da atitude”. “Parece que vai a reboque dos acontecimentos”, concluiu, depois de referir que só passadas 36 horas das declarações do primeiro-ministro é que o banco fez um comunicado. “O BdP também tem de fazer alguma coisa para que a sua imagem seja valorizada.”

“Espanholização da banca portuguesa”

O comentador diz, porém, que há outra questão “mais importante” a acontecer no país. “Há uma tentativa do Banco Central Europeu de entregar o controlo dos principais bancos nacionais aos bancos espanhóis. É uma espécie de 'espanholização' da banca portuguesa”, afirma, acrescentando que o Governo, o governador do Banco de Portugal, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa sabem deste assunto. “Mas, todavia, ninguém fala nesta matéria.”

“Não acho bem os bancos portugueses estarem todos concentrados nas mãos dos espanhóis. Há a soberania política, mas existe também a soberania financeira. Esta concentração seria má. Num tempo de crise quem decidiria o crédito às nossas pequenas e médias empresas? Espanha? Isso não é bom.”

Marques Mendes lembrou a situação do BPI, sobre o qual há decisões a tomar pelo BCE até ao dia 10 de abril. “Provavelmente o La Caixa, espanhol, vai ficar com o BPI.” O ex-líder do PSD disse que com base nas informações que recolheu em Angola isso acontecerá já não “eventualmente por imposição legal, mas sim de forma negociada para evitar conflito diplomático, guerras jurídicas, entre Portugal e Angola”.

“Se o La Caixa ficar detentor do BPI, fica em posição privilegiada para ganhar o concurso para ficar com o Novo Banco. E não for, fica o Santander, também espanhol.”

Sobre o BCP, Marques Mendes defende que “não pode ficar, neste quadro, nas mãos dos espanhóis. Não é bom para a economia nacional e para as nossas empresas”.

Neste assunto, defende, tem de haver “articulação entre o Presidente da República, o Governo e o Banco de Portugal”. “É uma questão estratégica, nacional, e é importante para o futuro de Portugal”, concluiu.