Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Socialistas da CGTP assumem oposição

  • 333

Carlos Trindade não tem dúvidas: a maioria comunista impôs um recuo na Inter para fazer contrapeso ao PCP

Em vésperas do XIII Congresso da CGTP, o líder da tendência socialista daquela central sindical assume o papel de oposição. A “geringonça” não parece estar a funcionar na maior central sindical do país, onde socialistas e bloquistas não se conseguem entender com a maioria comunista. Carlos Trindade faz duras críticas ao modo como Arménio Carlos tem exercido o seu mandato e aponta o dedo ao programa de ação que os sindicalistas vão aprovar para os próximos quatros anos.

“A maioria da CGTP faz mal a análise política” da atual situação, diz, denunciando ainda “a postura sectária e radical” e até “o processo de revisão” de muitas das posições assumidas no passado. A Intersindical está no caminho do “fechamento” e a fazer de “contrapeso à base social mais radical do PCP”, num momento em que “as circunstâncias políticas” levaram os comunistas a um entendimento no “plano parlamentar”.

As críticas foram feitas nos órgãos internos da CGTP, mas o dirigente da tendência socialista da CGTP acha que é tempo de os tornar públicos. Carlos Trindade encabeça um grupo de oito sindicatos que, no próximo fim de semana, dão a cara no Congresso da central sindical apresentando propostas de revisão do programa de ação. Em causa, estão diferenças de perspetiva sobre o que deve ser a estratégia sindical. E até a análise política da atual situação do país. Arménio Carlos, conforme disse na entrevista ao Expresso, acha que este não é um Governo de esquerda e até que “tem de trabalhar muito para chegar a ser de centro-esquerda”. Trindade discorda. “Não faz sentido nenhum”, afirma ao Expresso, apontando a contradição política: “Como é que o PCP e o BE iriam sustentar um Governo se ele não fosse posicionado à esquerda?”

PS e BE forçam a porta

Um erro de análise política e um fechamento da central sindical acarretam perigos futuros. “O risco maior desta situação é o mesmo dos médicos que fazem um mau diagnóstico: decidem mal a terapia”, explica Carlos Trindade. Os socialistas criticam a posição da CGTP sobre a Concertação Social, vista “como um diabo que é preciso expurgar” em vez de assumir “as potencialidades deste nível superior do diálogo social”. Lamentam os recuos feitos neste ponto em relação às decisões do último Congresso, assim como a recusa em alargar os entendimentos a “movimentos sociais e até sindicais”, UGT incluída.

“O processo de afirmação democrática que este Governo permitiu também devia ser transportado para dentro da CGTP”, diz Carlos Trindade. A central “deve ter uma representação a nível executivo de todas as correntes, sem exclusão”, afirma. Este aumento de responsabilidades “seria justo”, dizem os socialistas. E é, também, uma vontade dos sindicalistas do BE representados na CGTP. Francisco Alves, do Bloco, confirma. “Não se trata de uma guerra por lugares”, garante, explicando que até ao Congresso do próximo fim de semana a questão estará em cima da mesa.

Arménio Carlos verá o seu mandato renovado. Mas Carlos Trindade não tem dúvidas de que “as novas circunstâncias políticas vão interpelá-lo e obrigá-lo a mudar. É uma questão de sobrevivência”, afirma.