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Pacheco Pereira diz que governador do Banco de Portugal perdeu a autonomia

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Luis Barra

As criticas do primeiro-ministro ao Governador do Banco de Portugal e o processo de privatização da TAP foram debatidas na “Quadratura do Circulo”


Tanto o social-democrata Pacheco Pereira como o socialista Jorge Coelho consideraram que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, devia demitir-se, opiniões que foram contrariadas pelo centrista Lobo Xavier na “Quadratura do Circulo” desta quinta-feira à noite na SIC Notícias

Pacheco Pereira considerou que Carlos Costa “politizou o exercício da governação”, quando “começou a encostar-se ao (anterior) Governo” e, ao fazê-lo, “perdeu autonomia”.

“É natural que este conflito (com o primeiro-ministro António Costa) surja em aberto. O conflito não mal nenhum. O que tem de se remendar é autonomia”, acrescentou, defendendo a necessidade da saída de Carlos Costa.

Jorge Coelho também considerou que o governador não tem atualmente condições para se manter no cargo, referindo que está numa situação de conflito não só com o Governo, mas também com a CMVM: “O que está a ser prejudicado violentamente é o país, são os cidadãos (…) Neste momento era um ato de grande sentido de Estado, de sentido de responsabilidade … a bem do país sair das suas funções de Governador”.

Lobo Xavier defendeu que, ao contrário do que fora dito, o anterior Governo “não tinha nenhuma ligação com o Banco de Portugal” e que na verdade viviam “de costas voltadas”, deixando para o governador o peso de todas as decisões difíceis e nesse sentido foi justo que tenha sido reconduzido.

Por outro lado, Xavier considerou que a verdadeira questão de António Costa em relação ao governador não tem a ver com os lesados do GES, mas antes com “a situação do sistema financeiro português”. “O Governador tem se limitado a seguir as regras de Frankfurt ou até a ser mais papistas do que o papa”, obrigando a “reservas de capital para os bancos portugueses mais exigentes do que seria necessário” e ao fazê-lo “escolheu agravar a situação da banca portuguesa”.

Apesar de reconhecer que nem o processo do BANIF nem o do BES correram bem a Carlos Costa, reafirmou que “tem o governador do Banco de Portugal tem todas as condições para continuar”.

Relativamente ao processo de privatização da TAP, Xavier afirmou que a intervenção do atual Governo, ao mesmo tempo que não conseguiu mais garantias para o Estado do que as que já haviam sido obtidas pelo anterior executivo, criou uma situação caótica dentro da companhia, onde já não se sabe quem é que manda.

Pacheco Pereira e Jorge Coelho consideraram positivo que o atual Governo tenha conseguido que o Estado fique com 50 % do capital e o poder de veto nas decisões de gestão da TAP. Coelho disse que por outro lado, que ao manter-se como uma empresa de bandeira, a TAP tem de perceber que tem outras responsabilidades, nomeadamente a de explicar ao país decisões relativas a mudanças de rotas.