Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Passos em Bruxelas: cabe ao Governo dar respostas tranquilizadoras a “preocupação genuína”

  • 333

CARLOS BARROSO / Lusa

Antigo primeiro-ministro diz que tem sido questionado, e não apenas no seio do PPE, sobre se existe efetivamente entre as autoridades portuguesas uma “forte convicção de prosseguir o trabalho que vinha sendo realizado”, mas sustenta que só o atual Governo pode dar essas garantias

O presidente do PSD disse esta quinta-feira em Bruxelas que cabe ao Governo dar respostas tranquilizadoras a quem tem manifestado uma "preocupação genuína" quanto ao empenho do país em cumprir as metas orçamentais e prosseguir a transformação estrutural da economia.

"Essa preocupação existe, é genuína. Eu julgo que não só fora de Portugal, em Portugal também. Mas aquilo que julgo que é mais importante é obter do Governo português as respostas tranquilizadoras que são necessárias", afirmou Pedro Passos Coelho à chegada a uma reunião do Partido Popular Europeu (PPE), preparatória do Conselho Europeu que decorre entre esta quinta e sexta-feira, na capital belga.

"Não é ao líder do maior partido, neste caso até da oposição, que compete dar garantias ou fazer declarações tranquilizadoras, na medida em que não depende de nós o rumo que nesta altura, do ponto de vista económico ou orçamental, está a ser prosseguido no país, depende do Governo. E eu espero que o Governo atenda a isso porque é o interesse do país no seu todo que está em causa, não é o interesse dos partidos que apoiam o Governo", disse.

Advertindo que "há sempre aspetos de política internacional que levantam incertezas que, por vezes, podem afetar aqueles que estejam em piores circunstâncias", como a atual crise que tem afetado os mercados financeiros, o ex-primeiro-ministro sublinhou a necessidade de Portugal "resguardar-se" desses riscos, prosseguindo "um caminho de prudência", que inspire confiança, "e isso é redobradamente importante quando podem aparecer fatores de instabilidade ou de desconfiança nos mercados externos".

"Se desenvolverem políticas arriscadas, imprudentes, podem, perante circunstâncias externas mais adversas, colocar-se numa posição de maior volatilidade também, e de poder receber um feedback negativo quanto àquilo que são as reações do mercado, e era isso que eu não gostaria que acontecesse a Portugal, como, de certa maneira, já sucedeu numa primeira ocasião", disse, referindo-se ao facto de "as taxas de juro portuguesas terem disparado de uma forma única, que não foi replicada por outros países da periferia da zona euro".

Passos Coelho indicou que tem sido questionado, e não apenas no seio do PPE, sobre se existe efetivamente entre as autoridades portuguesas uma "forte convicção de prosseguir o trabalho que vinha sendo realizado", mas sustentou que só o Governo pode dar garantias, até porque são "opções que têm vindo a ser sinalizadas a partir das autoridades portuguesas" que têm causado alguma apreensão.

"Infelizmente houve já chamadas de atenção de várias instituições internacionais, que manifestaram apreensão pelas que foram adotadas nos últimos anos e que lançam alguma intranquilidade e alguma insegurança junto daqueles que estavam habituados a olhar para Portugal como um país que estava muito comprometido com as suas metas orçamentais por um lado, mas também, e esta parte não é menos relevante, com a transformação estrutural da economia portuguesa no sentido de ser uma economia mais aberta, mais competitiva", apontou.

"Os partidos podem ter as suas divergências quanto à melhor forma de proceder, mas sempre que, do ponto de vista externo, existirem dúvidas sobre a nossa capacidade e a nossa vontade para cumprir os compromissos que assumimos no passado e manter a trajetória económica num sentido positivo, isso prejudica-nos a todos, e eu acho que o Governo deve ser sensível a isso", disse.