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Banif. PCP convoca Passos, PSD responde chamando Costa

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Nuno Botelho

Abreu Amorim acusa esquerda de querer fazer da comissão de inquérito uma arma de arremesso político, depois de o PCP chamar Passos Coelho e Durão Barroso

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O PCP incluiu Pedro Passos Coelho na lista de audições a realizar na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Banif, na qualidade de ex-primeiro-ministro, o que levou o PSD a responder acrescentado aos nomes que tinha proposto o do atual primeiro-ministro, António Costa. "Por uma questão de coerência", explicou Carlos Abreu Amorim em declarações aos jornalistas, lembrando que foi o chefe do Governo PS quem "deu a cara" no anúncio da resolução do banco.

Para o coordenador do PSD na comissão de inquérito, "o nível de responsabilidade política estava perfeitamente coberto" com a chamada dos ministros das Finanças – o atual e os seus dois antecessores. Porém, se o PCP quer "subir o nível de responsabilidade política", então, "por maioria de razão" deve ser chamado também António Costa.

"Não faz sentido [chamar] Pedro Passos Coelho sem António Costa, já que foi ele que deu cara, foi ele a voz, desta decisão sobre o Banif", argumentou Abreu Amorim, numa referência ao facto de ter sido António Costa a comunicar ao país a resolução do banco – ao contrário do que aconteceu no BES, caso em que o anúncio foi feito pelo governador do Banco de Portugal, Carlos Costa.

Mais: o primeiro-ministro, lembrou Abreu Amorim, "tem-se desfeito em declarações sobre esta matéria, e até aponta culpados com alguma ligeireza, mesmo antes de começarem os trabalhos".

Arma de arremesso?

Abreu Amorim levanta a hipótese de a CPI estar a ser transformada pela esquerda numa "arma de arremesso" no debate partidário "pré e pós orçamental", tendo dado mais um indício disso: o PCP chamou o ex-presidente da Comissão Europeia Durão Barroso, mas não fez o mesmo em relação ao atual presidente Jean-Claude Juncker. Mais um caso em que o PSD estranhou a duplicidade de critério, pois Barroso não teve qualquer responsabilidade neste caso, ao contrário de Juncker, que era o presidente da Comissão em funções no momento da decisão de resolver o Banif.

Também por essa razão, Abreu Amorim anunciou que, se Barroso for chamado a dar explicações, o mesmo deve ser feito em relação ao luxemburguês. "Estamos com muitos receios de que a bondade desta CPI esteja ameaçada", afirmou o responsável do PSD.

Em resposta a estas críticas, Miguel Tiago, do PCP, insurgiu-se contra o critério do PSD, que chama um nome só porque o PCP chama outro. "Não achamos que é útil ouvir António Costa só porque o PCP propõe ouvir Pedro Passos Coelho", frisou Tiago. E explicou a razão por que os comunistas querem ouvir Passos, mas não Costa: a "contradição" entre "a forma como Pedro Passos Coelho reagiu à resolução do Banif e a forma como na última entrevista que deu se referiu ao caso" – Passos começou, em dezembro, por considerar que a resolução foi uma boa opção, mas na sua última entrevista criticou essa decisão, lembrando que quando saiu do Governo "o Banif dava lucro". "Se há novos dados de que Pedro Passos Coelho dispõe, a comissão também deve dispor."