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Marques Mendes diz que Governo teve “choque com a realidade”

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Marques Mendes é comentador de política da SIC

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O comentador da SIC declara que as últimas duas semanas ficaram marcadas por “um cenário de degradação política” e considera “muito provável” que, num futuro próximo, o Governo tenha que recorrer a um plano B para evitar o descontrolo orçamental

Luís Marques Mendes afirmou este domingo, no seu espaço de comentário habitual na SIC, que “nestas duas últimas semanas houve um ponto de viragem” na governação do Executivo de António Costa. “Quando um dia mais tarde se analisar este ano político e económico, sob o ponto de vista do Governo, eu acho que estas duas últimas semanas vão ficar como referência”, sublinha, acrescentando que estas “não correram nada bem” e ficaram marcadas por “um cenário de degradação política”.

O comentador referia-se a vários acontecimentos que marcaram as últimas semanas, como a imagem de Portugal na Europa na sequência das negociações sobre o esboço de OE2016; o “nervosismo nos mercados”, com os juros a disparar; os agentes económicos “retraídos”; o ambiente político “de mal-estar” dentro da coligação; e a opinião pública, com as sondagens (como a do Expresso) a revelarem que os portugueses “não gostaram do orçamento”.

Relativamente à possibilidade do Governo ter que recorrer a um Plano B, ou seja, à implementação de medidas adicionais no caso de descontrolo orçamental, o antigo líder do PSD olha para esse cenário como “muito provável”. Porquê? “Já existem vários estudos, inclusive da Universidade Católica, que apontam para a possibilidade do défice chegar a 3% com este orçamento.”

Ainda assim, disse que os membros do Executivo não devem “deixar no ar” essa possibilidade. “Este tipo de comportamentos não são bons, porque criam intranquilidade e não contribuem para a imagem do Governo”, explica, exemplificando com as declarações do ministro da Economia, Caldeira Cabral, este domingo ao “Diário do Minho”. Ao jornal, Caldeira Cabral diz que “não exclui a necessidade de um corte ao subsídio” ao rendimento dos portugueses, no quadro de agravamento das contas públicas.

“Há um conselho que gostava de dar aos ministros: fujam da ideia de dar palpites em público. Não façam de comentadores, analistas, visionários”, remata Marques Mendes.