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“Não nos venham exigir que apoiemos programas que revertem tudo o que fizemos”

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Nuno Veiga / Lusa

Em resposta à entrevista que António Costa deu ao Expresso, Pedro Passos Coelho pede “decoro” ao Governo para que não peça aos sociais-democratas que apoiem as atuais políticas, considerando que as mesmas revertem todo o trabalho do anterior executivo

O presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, pediu este sábado “decoro” ao Governo para que não peça aos sociais-democratas que apoiem as atuais políticas, considerando que as mesmas revertem todo o trabalho do anterior executivo.

“Não nos venham exigir, em nome do nosso sentido de responsabilidade, que apoiemos os programas que querem reverter tudo o que fizemos e culpar-nos de todo o mal que existe no país, isso não”, disse, acrescentando: “haja pelo menos esse decoro, de não pedirem o nosso apoio para combater as nossas ideias e desfazer as reformas que nós fizemos”.

Pedro Passos Coelho falava em Portalegre, no decorrer de um almoço convívio com simpatizantes e militantes do PSD que apoiam a sua recandidatura à liderança do partido, tendo visitado antes uma exploração agrícola.

O presidente do PSD fez questão de frisar que o Governo é sustentado por uma maioria de esquerda e que a mesma “não se confunde” com o PSD. “Temos hoje outro Governo e um Governo que é sustentado por uma outra maioria. Essa maioria não se confunde connosco, não somos nós que apoiamos o atual Governo, é o PCP, o PEV, BE, o PAN e o PS que apoiam o atual Governo”, disse.

“E qual é o seu programa? Desfazer o que nós fizemos, este é o programa do atual Governo. Ao cabo de dois meses e meio, o que se conhece do atual Governo é fazer o contrário do que o Governo anterior fez, não me parece um caminho normal”, acrescentou.

PSD deve libertar-se do “casulo em que ficou fechado”

O primeiro-ministro, António Costa, disse numa entrevista publicada hoje no Expresso que o PSD se deve libertar do “casulo em que ficou fechado” para que possa regressar “à vida democrática no presente”.

Questionado se teme que o Presidente da República eleito a 24 de janeiro o tente “empurrar” para entendimentos com os sociais-democratas, António Costa respondeu que entendeu as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa como “um convite a que o PSD se liberte do casulo em que ficou fechado e possa regressar à vida democrática no presente, convivendo com os demais partidos”.

António Costa considerou ainda que “é normal nas democracias que o debate parlamentar e a construção das soluções envolva os diferentes agentes políticos, umas vezes concordando, outras não”. “Há matérias que, pela sua natureza, convidam a consensos políticos mais amplos e acho que seria uma pena se o PSD continuasse fechado naquele casulo perdido no passado e não regressasse ao tempo presente”, sublinhou.

Ainda relativamente a futuros entendimentos com o PSD, António Costa acrescentou: “numa democracia o compromisso e o diálogo político são importantes e não queremos nem pretendemos excluir ninguém desse diálogo”.

  • Costa desafia Passos para consensos políticos

    António Costa é claro: “Não queremos nem pretendemos excluir ninguém do diálogo político”. Ao Expresso, o PM diz que é preciso “respeitar o luto da direita”, acredita que o PSD se pode “tornar um parceiro ativo” e que há “matérias que pela sua natureza convidam a consensos políticos”. Agora a prioridade é governar com estabilidade. “O tempo dos adversários já passou”. Está “tranquilo” com as esquerdas, mas sobre as melhorias no OE avisa: “As balizas são conhecidas”. Fala em “fetichismo” nas 35 horas, e espera poder aumentar a Função Pública em 2017. Garante que com ele a CGD será “sempre 100% pública”. “Pressões acrescidas”, não as sente. Continua a fazer puzzles, que lhe “dão tempo em vez de lho consumirem.”