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Passos pergunta por “plano B”, Costa não antecipa medidas

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Marcos Borga

Um dia depois de Mário Centeno ter anunciado que vai preparar medidas adicionais para aplicar “se for necessário”, o líder social-democrata aproveitou o debate quinzenal no Parlamento para questionar o Governo sobre essas mesmas medidas. A resposta de Costa não agradou a Passos

No debate quinzenal realizado esta sexta-feira no Parlamento, Pedro Passos Coelho questionou qual o "plano B" do Governo "para acudir à situação orçamental", insistindo para que o primeiro-ministro dissesse "que tipo de medidas" estão a ser preparadas e "sobre que áreas atuam". Segundo Passos, o Parlamento e o país "têm direito a saber" já quais as eventuais medidas adicionais de ajuste orçamental, um pedido também ecoado pela bancada parlamentar do CDS.

Na resposta, António Costa afirmou que todas as medidas com que o executivo do PS já se comprometeu "são públicas". "O que iremos fazer, naturalmente com espírito construtivo, é começar a preparar medidas que manteremos em carteira, responsavelmente, para utilizar caso venham a ser necessárias. Agora, a nossa convicção é que elas não serão necessárias", disse Costa durante a sua intervenção. "Não temos nada a esconder."

No que respeita ao processo orçamental, o primeiro-ministro referiu que no ano passado, quando PSD e CDS-PP estavam no Governo, o Eurogrupo disse que havia "risco de não cumprimento com as recomendações do procedimento por défices excessivos" e que eram "necessárias medidas adicionais".

Ainda segundo Costa, e ao contrário dos tempos do executivo de Passos, a questão das medidas adicionais é posta "de um modo eventual e meramente preventivo". "Temos muita confiança na nossa capacidade de executar, porque sabemos que as medidas que adotámos, mesmo as que adotámos a contragosto, são medidas que não terão efeito negativo no conjunto da economia, no rendimento dos portugueses, na vida das empresas. E, sobretudo, não contribuirão para uma dinâmica recessiva, como a estratégia que o seu Governo adotou", acrescentou.

Passos Coelho retorquiu que "não vale a pena ir buscar 2015". "A Comissão Europeia não nos pediu à cabeça medidas nenhumas. E o seu ministro das Finanças, ontem [quinta-feira], disse que ia trabalhar já nessas medidas, que elas seriam analisadas na reunião do Eurogrupo em abril e, caso fossem necessárias, executadas", prosseguiu.

O presidente do PSD exigiu respostas a António Costa e lembrou que este no último debate quinzenal lhe chamou primeiro-ministro: "Mas convém não se esquecer que o senhor é o primeiro-ministro e tem mesmo de responder".

Face às respostas do primeiro-ministro, Passos Coelho concluiu que "o Governo não quer informar o país de quais são as medidas que estão a preparar", que "com certeza" serão preparadas "em conjunto com o PCP e com o BE" e conhecidas depois de reuniões com esses partidos.