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Passos: PS tem um “impulso patológico” para arranjar um “bode expiatório”

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Marcos Borga

Líder do PSD diz que a “confiança em Portugal foi abalada” e pergunta ao primeiro-ministro qual é o plano B do Governo. Costa responde que as medidas não serão necessárias e que só serão preparadas por uma “questão preventiva”

Na intervenção do PSD no debate quinzenal desta manhã, Passos Coelho acusou o Governo de minar a confiança no país com medidas que “redistribuem a austeridade”, sinalizando o alerta de Bruxelas.

“Ontem [quinta-feira] no final da reunião do Eurogrupo, o comissário europeu dos Assuntos Económicos Pierre Moscovici disse que era preciso Portugal restaurar a confiança dos investidores. Gostava de perguntar ao senhor primeiro-ministro porque é que o comissário entendeu que era importante afirmar que era preciso Portugal restaurar a confiança”, perguntou Passos Coelho

Em resposta, o primeiro-ministro devolveu as acusações, sustentando que as dúvidas da Comissão prendem-se com o facto de as metas assumidas com o executivo comunitário não terem sido alcançadas. “Poder-lhe-ia dizer que, porventura, depois de quatro anos onde consequentemente a dívida pública aumentou de 97% do PIB para 130%, um ano em que em vez do défice estrutural diminuir ter aumentado, e o crescimento económico foi paupérrimo e o INE regista falta de confiança dos investidores, é por isso que Portugal terá que fazer esforços para recuperar a confiança investidores”, respondeu António Costa.

Num pinguepongue de acusações sobre a confiança, Passos insistiu que foi o atual Governo que abalou o crédito dos investidores ao seguir uma política que coloca maior “vulnerabilidade” na economia. “O PS tem um impulso patológico para arranjar sempre um bode expiatório quando as coisas correm mal. E é assim que está ser”, afirmou.

O líder do PSD defendeu que a confiança no país foi restaurada nos últimos quatro anos, tendo concluído o programa de ajustamento e o resgate com uma recuperação do emprego e do crescimento.

Questionou ainda o primeiro-ministro sobre qual é o plano alternativo que o Governo tem caso sejam necessárias medidas adicionais. António Costa respondeu que acredita que não serão necessárias medidas adicionais e que só estarão já a ser preparadas pelo Executivo por uma “questão preventiva.”

“As medidas que adotámos, mesmo a contragosto, não terão efeito negativo no conjunto da economia e no rendimento dos portugueses e na vida das empresas, nem contribuirão para a estratégia recessiva que o seu Governo adotou nos últimos anos em Portugal. Essa é a diferença e é muito importante”, justificou.

Segundo o primeiro-ministro, os avisos da Comissão Europeia são os mesmos do anterior Governo, as respostas é que são diferentes, optando o atual Executivo por virar a página da austeridade. “Entre não repor os salários devidos e repor as pensões devidas e cortar nos impostos sobre o consumo, não há que hesitar”, disse.

António Costa acusou ainda a oposição de exercer pressão sobre Bruxelas para chumbar a proposta do Orçamento, o que Passos Coelho negou: “Isso é uma forma rasteira de fazer política”.