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Schäuble: seria “perigoso” para Portugal inverter o “caminho bem-sucedido”

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FABRIZIO BENSCH / Reuters

À entrada para mais uma reunião do Eurogrupo, o ministro alemão das Finanças fez como Merkel há dias: elogiou o caminho “bem-sucedido” traçado pelo Governo de Passos e diz que os mercados já estão “nervosos”

É mais pressão para António Costa. O ministro alemão das Finanças defendeu esta quinta-feira que o Governo português deve prosseguir o caminho “de sucesso” dos últimos anos, sublinhando que os “mercados já andam nervosos” com a eventual inversão das políticas.

“Estamos atentos aos mercados e Portugal não pode perturbar os mercados se der a noção de que está a inverter o caminho até aqui percorrido. Isso seria muito delicado e perigoso para o país”, declarou Wolfang Schäuble à chegada de uma reunião do Eurogrupo, em Bruxelas.

Schäuble garantiu ainda que o Governo germânico irá continuar a instar o Executivo português a manter o rumo seguido nos últimos quatro anos. “Vamos continuar a encorajar firmemente os nossos colegas portugueses a não se desviarem do caminho bem-sucedido até agora percorrido”, acrescentou.

As palavras do governante alemão surgem na mesma linha do discurso da chanceler. Na sexta-feira passada, Angela Merkel teceu elogios a Passos Coelho, considerando que é vital que Portugal prossiga o “caminho de sucesso” dos últimos anos. “O antecessor de António Costa conduziu Portugal por um período bastante conturbado, não foi fácil, mas na verdade foram conseguidas coisas impressionantes e deve-se fazer tudo para continuar este caminho de sucesso”.

Num encontro em Berlim com António Costa, a chanceler afirmou que foram conquistados importantes progressos durante o processo de ajustamento, sendo fundamental que o país “enverede por um caminho de mais crescimento e de mais emprego”.

Esta quinta-feira, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, também deixou um recado ao Governo português, advertindo que podem ser necessárias medidas adicionais, de forma a respeitar o pacto orçamental.

Na semana passada, o colégio de comissários europeu deu luz verde ao Orçamento do Estado português para este ano, mas com reservas. O Executivo comunitário salientou que existe risco de incumprimento do Pacto de Estabilidade e de Crescimento.

Na altura, o vice-presidente da Comissão Europeia Valdis Dombrovskis pediu ao Executivo de António Costa para tomar os “passos necessários” para assegurar o cumprimento do défice. O comissário europeu dos Assuntos Económicos, Pierre Moscovici, afirmou, por seu turno, que o caminho de Portugal ainda é “longo” e que Bruxelas voltará a avaliar a situação do país em maio.