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Ferreira Leite: O ministro das Finanças “tem de estar preparado para tomar medidas adicionais”

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Manuela Ferreira Leite e Mário Centeno durante a apresentação do livro “Cuidar do Futuro”, da autoria de Pedro Adão e Silva e Mariana Trigo Pereira, em setembro

João Lima

No habitual espaço de comentário, na TVI 24, a antiga ministra defendeu que o “grande problema” será a elaboração do Orçamento do Estado para 2017

Manuela Ferreira Leite, no habitual espaço de comentário da TVI 24, esta quinta-feira, criticou as declarações de Wolfgang Schäuble na reunião do Eurogrupo. Durante a tarde, o ministro das Finanças alemão tinha referido que seria “perigoso” para Portugal recuar do “caminho bem-sucedido”.

“Só o ministro das Finanças da Alemanha pensa que a política europeia está correta. Acho que tem uma ideia que ninguém tem, em que tudo parece estar bem economicamente e socialmente. Acho que não há ninguém na Europa que pense que tudo está tão bem e que não se deve mudar para não fazer pior”, acusou.

Nas palavras que dirigiu ao Eurogrupo, Schäuble disse que “Portugal não pode continuar perturbar os mercados”. Para Ferreira Leite o que “não ajuda muito à estabilidade dos mercados financeiros” são “as frases do ministro alemão”.

Sobre a questão das medidas adicionais ao OE2016, a ex-ministra das Finanças disse que Mário Centeno “tem de estar preparado psicologicamente e policialmente para tomar medidas adicionais, caso o orçamento não seja executado”.

“Não me lembro de quando os objetivos orçamentais foram alcançados. Não será caso único se este OE não for executado, há sempre desvios”, defendeu.

Para Ferreira Leite, o “grande problema estará na preparação do OE para 2017”. “Esse é que será a grande dificuldade, é uma elaboração muito difícil”, considerou.

“Não me parece que os acionistas tenham sido apanhados de surpresas”

Manuela Ferreira Leite disse que o “mais benéfico” no acordo da TAP não era facto do Estado recuperar 50% do capital, mas a garantia que a empresa não passaria na totalidade para as mãos dos acionistas ao fim de dois anos, como estaria definido no acordo anterior. “O que considero mais benéfico é que não há nenhuma clausula dessas”.

“Quando [os acionistas] assinam um acordo daqueles, em vésperas de eleições, à porta fechada e com o partido da oposição a dizer que vai reverter, não me parece que tenham sido apanhados de surpresa. Por isso mesmo é que me parece que houve esta facilidade” de conceber um novo acordo, argumentou Ferreira Leite.

Quanto a questão da eliminação de rotas no aeroporto do Porto, a ex-ministra das Finanças disse que não é capaz de distinguir a origem da situação: “Ou é considerado um prolema de gestão e o Governo entra ou é considerado um problema estratégico e o Governo não entra”.