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BE pede 29 audições no inquérito ao Banif

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Comissão de inquérito vai constituir grupo de trabalho para consensualizar as propostas dos vários partidos sobre testemunhas a chamar ao Parlamento

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

O Bloco de Esquerda entregou esta quinta-feira de tarde na comissão parlamentar de inquérito (CPI) ao Banif uma lista de 29 pessoas que quer ouvir na "primeira fase" deste inquérito. A lista inclui administradores do banco, protagonistas políticos e das autoridades de supervisão, bem como responsáveis de instituições europeias, e ainda representantes do Santander Totta, que acabou por comprar o Banif, e do Banco Popular e do Fundo Apollo, cujas propostas de compra foram preteridas.

Na lista de responsáveis políticos, o BE inclui apenas nomes do atual Governo e do anterior - não vai atrás ao ponto de chamar Teixeira dos Santos, o ministro das Finanças no momento em que começou a derrocada do banco, em consequência da crise financeira de 2008. Assim, no plano político, o BE chama Vítor Gaspar, Maria Luís Albuquerque, Mário Centeno e Ricardo Mourinho Félix (atual secretário de Estado Adjunto, do Tesouro e das Finanças), além de Cristina Sofia Dias, chefe de gabinete do Ministério das Finanças.

Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, é chamado, além de outros cinco responsáveis ou ex-responsáveis do banco central. Carlos Tavares, presidente da CMVM, também consta da lista. Do Banif são convocados Luís Amado, Jorge Tomé, Joaquim Marques dos Santos, Carlos Duarte de Almeida, António Varela (agora no BdP, mas que foi o representante do Estado no Banif) e Miguel Barbosa (representante do Estado no Banif e presidente da Oitante).

Grupo de trabalho, lista fechada no dia 17

Esta quinta-feira de tarde, PS, PCP e BE chumbaram a proposta do PSD para uma auditoria externa sobre o Banif, com o argumento de que a proposta dos sociais-democratas tinha um âmbito tão extenso que se sobrepunha à missão da própria comissão de inquérito. Mesmo o BE, que tinha dito em plenário, em janeiro, que aprovaria e até estava disposto a propor uma auditoria externa sobre o Banif, votou agora contra a proposta do PSD, tal como já tinha feito quando a mesma proposta foi discutida em plenário, nessa altura fora do âmbito da CPI.

Por outro lado, os partidos de esquerda propuseram a constituição de um grupo de trabalho para consensualizar as audições a realizar na primeira fase de trabalhos da comissão de inquérito. A ideia é ter até dia 17 uma lista de todas as testemunhas a ouvir, a partir das propostas feitas pelos vários partidos, de forma a que seja aprovado um plano de audições que recolha o apoio de todas as bancadas.

Depois de dia 17, a CPI vai suspender os trabalhos, porque o Parlamento entra na fase de discussão do Orçamento do Estado. Mas, durante esse período, será pedida a documentação de que os deputados precisam para prosseguir o inquérito.