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E no final do debate sobre a requalificação na 2ª Circular as críticas não foram sobre a 2ª Circular

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ANTEVISÃO. O plano é fazer da Segunda Circular um corredor arborizado que ligue os pulmões da cidade, como se vê nesta imagem

Foto CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA

Não vai haver redução de faixas na 2ª Circular, nem a plantação de arvoredo causará riscos para o Aeroporto de Lisboa, esclarece o relatório do debate sobre a requalificação da 2º Circular

Ao fim de semanas de debate em torno do projeto de requalificação da 2ª Circular, em Lisboa, o relatório que integrou as diversas sugestões, contributos e esclarecimentos sobre o assunto foi aprovado por unanimidade esta quarta-feira em assembleia municipal. Tratou-se de uma sessão extraordinária em que a generalidade das criticas desviou-se da intervenção na 2º Circular para a necessidade de uma política que altere o modo de transporte dentro da capital.

O projeto na 2ª Circular não prevê a retirada de uma faixa de rodagem em cada sentido, nem a redução da largura das faixas de 3,25 metros para 3,10 metros, assim como também não prevê uma plantação de arvoredo na envolvente do aeroporto, atraindo mais aves e pondo em causa a segurança aeronáutica – ao contrário do que surgiu veiculado no debate sobre o assunto. A redução da velocidade máxima para 60 quilómetros por hora, mudanças de drenagem de águas, substituição do pavimento por outro mais aderente e que contenha um aditivo à base de borracha para redução do ruído, assim como colocação de arvoredo na zona de separação central são algumas das alterações previstas.

Entre as recomendações registadas e que ficaram em aberto quanto à sua eventual inclusão encontra-se o estabelecimento de prioridade de circulação para veículos elétricos, híbridos e a gás, assim como o estabelecimento de limites de velocidade bi-horários, com velocidades mais baixas durante o dia e mais altas durante a noite.

Durante a sessão desta quarta-feira, o deputado do PSD Victor Gonçalves disse que apesar de não se tratar de “uma obra prioritária”, registou melhorias significativas em relação à proposta inicial. O deputado do CDS Diogo Moura considera que a requalificação terá “melhorias óbvias”, nomeadamente nas características do pavimento e a drenagem das águas, afirmando contudo que o projeto de intervenção deveria ter uma maior articulação com outras entidades, como os responsáveis das redes de transportes públicos e as autoridades dos concelhos limítrofes.

O deputado do CDS expressou também o seu receio de que o “o caos se instale na capital” durante os 10 meses previstos para a intervenção, tendo em conta que haverá outras obras a decorrer em simultâneo.

Tanto o deputado do PCP Carlos Silva Santos como o deputado do Bloco de Esquerda Ricardo Amaral Robles criticaram a falta de uma intervenção mais integrada, de modo a retirar trânsito automóvel da capital e a favorecer o uso de transportes públicos. Robles lamentou mesmo que se continue a ter um debate “automóvel-cêntrico”.

Por seu turno, o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, disse que o primeiro objetivo do debate foi cumprido - “esclarecer o que está verdadeiramente em causa”. Mais do que o projeto em si, “o que mudou foi a visão de muitos sobre o projeto”, defendeu o autarca, contra-argumentando, por outro lado, não se tratar de um projeto isolado, mas antes de uma intervenção com “prudência e cautela” que “prepara o futuro”.