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Carlos Monjardino. “Espero que seja genuína a posição de Marcelo de não querer criar problemas à governabilidade”

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Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente, acha que António Costa é um bom negociador

Tiago Miranda

Em entrevista ao jornal “Público”, o presidente da Fundação Oriente elogia as capacidades de negociação de António Costa e questiona se Marcelo Rebelo de Sousa, uma vez em Belém, não trará “problemas ao Governo”

Carlos Monjardino, presidente da Fundação Oriente e membro da comissão política da candidatura de António Sampaio da Nóvoa às presidenciais, diz ter “dúvidas” de que não venham a existir “problemas” entre o Presidente eleito Marcelo Rebelo de Sousa e o Governo, na área política e financeira.

“Oiço muitas vezes dizerem que este Presidente da República não vai criar problemas ao Governo, espero enganar-me mas tenho dúvidas. Tenho grandes dúvidas, acho que vão existir problemas na área política, pois eles diferem consideravelmente. Mas também me refiro à parte financeira”, afirma numa entrevista esta quarta-feira ao jornal “Público” .

“Espero que seja genuína a posição de Marcelo Rebelo de Sousa de não querer criar problemas à governabilidade, mas há a sua natureza, enquanto feitio irrequieto, e tem uma determinada ideologia que não vai atirar para trás das costas”, refere

Ainda sobre as presidenciais de janeiro, Monjardino considera terem sido “únicas”. E acrescenta ao “Público”: “Admito que a Nóvoa faltasse uma dimensão política e apenas foi conhecido no final”.

Monjardino vê em António Costa qualidades de “bom negociador”, considerando que “se calhar” é melhor negociador do que ele próprio. “Ele negociou bem, até melhor do que eu pensava.” Quanto às suas expectativas em relação a este Governo, apoiado pela esquerda, defende que “os sinais que o PS dão são de nenhuma arrogância” e que “está a governar de forma equilibrada”.

Na mesma entrevista, Monjardino fala ainda do facto de ser testemunha abonatória de Ricardo Salgado, de quem é amigo. “Renegar um amigo é renegar-me a mim próprio. Eu não faço isso.” Reconhe que em Portugal “o sector político depende do sector financeiro”, “para financiar empresas, hospitais, transportes, a Administração Pública”, e lembra que isso acontece “em qualquer lugar do mundo”.

Sobre o papel da Fundação Oriente e a ligação com Macau, Carlos Monjardino defende que “há muito tempo” que Macau é “um caso perdido” para Portugal, tanto na parte social como cultural. “Mas ao nível social, que é um sector particularmente sensível, Macau não necessita de nós e tem aliás mais meios para o fazer”, responde ao “Público”.

Em 2006, Monjardino esteve para se candidatar a Belém, mas acabou por não o fazer. Questionado sobre as razões da sua decisão, o atual presidente da Fundação Oriente diz ter percebido, através de um estudo de opinião, que não era “suficientemente reconhecido”.

Tendo como base a sua longa experiência na banca, Carlos Monjardino diz ainda na entrevista o que advoga quando o questionam sobre o que se deve fazer ao dinheiro: “Respondo: 'vão para o imobiliário, que é o que faço'”.