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Novo movimento de Varoufakis quer uma Europa democrata e transparente

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FABRIZIO BENSCH/REUTERS

Chama-se DiEM 25 e pretende, entre outras coisas, acabar com o “processo opaco de decisão política” na União Europeia. Entre os seus signatários, encontram-se o músico Brian Eno, Julian Assange, fundador do Wikileaks, o filósofo esloveno Slavoj Žižek e os portugueses Boaventura Sousa Santos, Rui Tavares e Marisa Matias

O ex-ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, regressou ao palco político com o lançamento em Berlim de um movimento que, segundo o próprio, quer salvar uma Europa ameaçada pelo fantasma da desintegração devido à crise de refugiados.

Sete meses depois de renunciar ao cargo no governo de esquerda grego de Alexis Tsipras, o economista apresentou em Berlim, no Teatro Volksbuehne, o Teatro do Povo, o Movimento para a Democracia na Europa 2025 (DiEM 25), um movimento pan-europeu que quer agir em prol da democracia e da transparência numa União Europeia (UE) fragilizada pela crise de refugiados.

Entre os seus signatários, encontram-se para já o músico Brian Eno, Julian Assange, fundador do Wikileaks, o filósofo esloveno Slavoj Žižek, o economista James K. Galbraith e os portugueses Boaventura Sousa Santos, diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Rui Tavares, fundador do partido Livre, e Marisa Matias, ex-candidata presidencial e eurodeputada do Bloco de Esquerda.

Esta terça-feira, no lançamento oficial do movimento, Varoufakis criticou "o fracasso espetacular [dos 28 Estados-membros da UE] para lidar com a crise de refugiados de uma forma sensível e humanista, à exceção, possivelmente, de Angela Merkel".

Varoufakis: Solução para a crise dos refugiados não é "construir muros" ou "campos de concentração"

Na opinião de Varoufakis, citado pela agência noticiosa France Presse, a solução para gerir a chegada à Europa de centenas de milhares de pessoas em fuga de guerras e da miséria "não é construir muros" ou "campos de concentração".

"O arame farpado e os muros refletem a insegurança e não fazem mais do que espalhar a insegurança", defendeu o ex-ministro das Finanças grego, que acredita que a "desintegração da UE vai suscitar um colapso [democrático] que se assemelhará de forma terrível ao que aconteceu nos anos trinta, com a chegada dos nazis ao poder".

O DiEM 25 pretende também acabar com "um processo opaco de decisão política" que, segundo Varoufakis, "visa impedir que os europeus exerçam um controlo democrático sobre o seu dinheiro, as suas finanças, as suas condições de trabalho e o meio ambiente", segundo o manifesto de fundação. Neste sentido, o novo fórum de Varoufakis propõe medidas como a transmissão direta da Internet, por "live-streaming", das reuniões do Conselho Europeu, do conselho dos ministros das Finanças e do Eurogrupo.

O movimento é "aberto a todos os democratas liberais, socialistas, radicais e verdes" na Europa, de acordo com o documento, e tem beneficiado de um apoio moderado da esquerda europeia.

O antigo ministro francês Arnaud Montebourg, cuja presença no lançamento do DiEM 25 tinha sido anunciada por Varoukafis, acabou por não viajar até Berlim. Mas dois representantes europeus do partido de esquerda espanhol Podemos não faltaram e foram a Berlim, uma cidade escolhida porque "nada pode mudar" na Europa sem "a plena participação da Alemanha", de acordo com o antigo ministro grego.

Varoufakis não revelou se o movimento agora lançado conta apresentar candidatos às eleições europeias. A nova plataforma defende a criação de uma assembleia constitucional para, até 2025, elaborar uma "constituição democrática que vai substituir todos os tratados existentes da UE", avançou.