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Política

CDS acusa Governo de pôr a classe média e as PME a pagar os acordos à esquerda

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ANDRÉ KOSTERS / LUSA

CDS diz que “não há dúvidas”: partido vai votar contra o Orçamento

O CDS-PP defendeu esta sexta-feira que o Orçamento do Estado (OE) para 2016 traz um "aumento de impostos muito significativo" que atinge o "coração da classe média", com o agravamento da carga fiscal sobre os combustíveis.

"Estamos perante um aumento de impostos muito significativo - e se já era grave no esboço, é agora muito grave. Temos aumento de impostos no gasóleo, na gasolina e outros, que ainda iremos analisar muito cuidadosamente, que vão ao coração da classe média e das pequenas e médias empresas", defendeu a vice-presidente da bancada centrista Cecília Meireles.

Confrontada pelos jornalistas com a dimensão do aumento de impostos do anterior executivo PSD/CDS-PP, Cecília Meireles atribuiu essa "página de sacrifício" ao programa de ajustamento e argumentou que essa página deve ser ultrapassada "com gradualismo" para que não se repita.

"Porque o Governo abandonou um caminho de gradualismo, vai agora pôr a classe média e as pequenas e médias empresas a pagar a fatura dos acordos com o BE e com o PCP", declarou, reiterando que "não há dúvidas" sobre um voto contrário dos centristas ao documento, como já havia dito o líder parlamentar, Nuno Magalhães.

A deputada centrista argumentou ainda que está criado "um clima de instabilidade em que tudo muda de semana a semana" com as diferenças verificadas entre o documento agora entregue na Assembleia da República e aprovado por Bruxelas e o esboço orçamental de há duas semanas.

"As previsões de crescimento eram diferentes, eram de 2,1% e agora são de 1,8%. Para o défice também, era de 2,6%, agora é de 2,2%, entre outras. Tudo isto gera um clima de instabilidade, que é mau para a economia e para a confiança. As pessoas investem, as pessoas criam emprego, quando têm expectativa em relação ao futuro", sustentou.

Questionada sobre as previsões do anterior executivo que o CDS integrou também terem sido no passado revistas, Cecília Meireles respondeu: "Semana a semana acho que estamos perante um original na política portuguesa. E não é um bom original". A 'vice' da bancada do CDS voltou ainda a atacar as dotações previstas para as pensões, sublinhando que PS, PCP e BE chumbaram na semana passada um aumento das pensões mínimas ao nível da inflação esperada no ano de 2016.

"Vemos agora partidos como o BE e o PCP, que propunham quando estavam na oposição aumentos de 25 euros por mês, contentarem-se com menos de um euro por mês", disse.

Sobre a importância da aprovação do Orçamento por Bruxelas, Cecília Meireles respondeu que "é bom para Portugal ter um Orçamento aprovado, com certeza". "O mínimo que se exige a um Governo é ter o Orçamento aprovado. Acho é que escusávamos todos de ter passado por isto e acho que o processo não foi bom para Portugal, gerou mais instabilidade e afetou ainda mais a confiança dos agentes económicos."