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Pedro Passos Coelho: “Não falhámos”

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Luis Barra

Durante a apresentação da recandidatura ao PSD, o antigo primeiro-ministro disse ter consciência de que a austeridade ficou colada à sua imagem, mas insistiu que o caminho que traçou é o melhor para Portugal. “Não acredito na solução de Governo atual”, afirmou

Luís Barra

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Na apresentação solene da sua recandidatura à liderança do PSD, realizada na desta noite quinta-feira na União de Associações do Comércio e Serviços, em Lisboa, Pedro Passo Coelho assumiu o seu mais recente passado político, disse ter consciência da imagem de austeridade que se lhe colou à pele, mas insistiu que o caminho traçado por si é o melhor para o país.

“Não acredito na solução de Governo atual”, sublinhou, ante o aplauso de uma plateia onde se destacavam figuras como Luís Marques Guedes, Teresa Morais, Jorge Moreira da Silva, Maria Luís Albuquerque, Hugo Soares, Jorge Barreto Xavier ou Assunção Esteves, entre outros.

Apoiado no resultado das últimas eleições legislativas - “não só não governa quem ganhou as eleições como governa quem as perdeu” - e no programa do PSD, Pedro Passos Coelho reafirmou também a vontade de voltar a vestir o fato de primeiro ministro.

Tendo como fundo um cenário branco e laranja com a frase "Social-democracia sempre!”, Depois de relembrar o momento politico e económico que o país atravessava quando assumiu pela primeira vez a liderança do PSD, em 2010, o ex-primeiro ministro voltou a vincar a ideia de que “o doloroso resgate externo” foi forçado pelo Governo de Sócrates, que “não foi a tempo de arrepiar caminho”.

Pedro Passos Coelho salientou que foi já sob a sua batuta que o país “conseguiu atrair mais investimento externo” e “ conquistou a confiança e esperança no futuro”.

“A mudança que empreendemos, apesar de todos os sacrifícios, tirou-nos do abismo financeiro e económico e restituiu-nos maior liberdade de escolha nas políticas publicas”, vincou, assumindo “sem falsa modéstia” ter assegurado que “Portugal não falharia no essencial”. Não sem exigir dos portugueses “muitos sacrifícios” num processo que “ deixou muitas feridas que ainda precisam ser saradas”.

Insistindo na ideia de que fez o que achou que era preciso mesmo sabendo que isso lhe podia custar a reeleição enquanto primeiro ministro, admitiu que “a força de não querer falhar possa ter levado mais longe do que seria necessário a imagem de determinação que ficou associada à fase de austeridade”. Mas acentuou que se “nem todos os portugueses me perdoaram ainda essa dureza, foram em maior número os que redobraram a sua confiança na minha determinação”. Considerando que a sua visão estratégica para o país ficou a meio e que a sua recandidatura “é um ato de coerência”, concluiu: “Este é o passado com que me apresento”.

Após 15 minutos de um discurso que levava escrito, “mas sem revisão”, Pedro Passos Coelho entoou A Portuguesa, depois de ser fortemente aplaudido pelos apoiantes que encheram a sala da União de Associações do Comércio e Serviços.

Apesar de até dia 1 de março poderem ser apresentadas outras candidaturas, tudo leva a crer que não vai haver concorrência formal, embora a sucessão do ex-primeiro ministro já esteja a ser preparada nos bastidores.