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Ferreira Leite. “Em termos formais e políticos, o Governo ganhou” a Bruxelas

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Para a antiga líder e ministra do PSD, a discussão do Orçamento do Estado e “o braço de ferro com Bruxelas foi um bocado aparente”. Ambos os lados cederam, afirma, considerando que “o Governo deve ter querido negociar”, para “politicamente” dizer isso mesmo

A “aparente” preocupação de Bruxelas com o Orçamento do Estado (OE) português resulta de Portugal ser o único país na discussão, quando geralmente este é um processo conjunto, envolvendo os restantes parceiros europeus, defendeu esta noite Manuela Ferreira Leite, no seu espaço habitual de comentário na TVI24.

Para a ex-ministra do PSD, tratou-de, de facto, de um “braço-de-ferro um bocado aparente”, com o Governo a “querer mesmo negociar”, para passar essa imagem “politicamente”.

Quanto à avaliação de quem saiu vencedor, Ferreira Leite começou por considerar haver “claramente uma aproximação das duas posições”, com cedências de ambos os lados.

Ainda assim, defendeu, “em termos formais e políticos, o Governo português ganhou”. E porquê? “Chega a um OE que tem o cuidado de apresentar contas equilibradas, ao mesmo tempo, não tendo de abdicar das medidas” que lhe poderiam custar o apoio dos partidos seus parceiros na Assembleia.

Sendo necessários mais impostos, a comentadora da TVI defendeu ainda a opção pelos impostos indiretos, aqueles “a que se pode fugir”, não fazendo as despesas que lhes estão associadas, ao contrário do que acontece com o IVA ou com o IRS. No caso dos impostos indiretos, disse “pagam todos, mesmo os turistas”, sendo que os impostos que incidem nos produtos importados têm também “um efeito benéfico na balança comercial”.

“Não posso ficar a chorar pela banca”

Ferreira Leite admitiu que os impostos sobre os produtos petrolíferos poderão ter consequências negativas para “a competitividade das empresas”, nomeadamente pelo agravamento no custo da energia, mas já em relação aos impostos sobre a banca foi clara: “Não posso ficar a chorar pela banca. As pessoas também estavam numa situação frágil e tiveram de suportar cortes nos salários, nas reformas e aguentar o aumento dos impostos...”

Manifestando a sua discordância com a descida do IVA na restauração, medida que não irá “reabrir as empresas que fecharam, nem criar os postos de trabalho que se perderam” no sector, a antiga líder social-democrata entende, contudo, que a decisão foi necessária “para cumprir uma promessa eleitoral”.

Sobre o anúncio de Pedro Passos Coelho à recandidatura a líder do PSD, sob o lema “social-democracia sempre”, Ferreira Leite diz-se “muito contente”.

“Sempre reclamei que o PSD não fugisse da sua matriz”, acrescentou, alertando que o anterior primeiro-ministro terá agora de “reverter a perceção contrária” que se instalou.