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Dirigente do PS arguido por corrupção

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Hugo Pires, secretário nacional do PS para a Organização e ex-presidente da concelhia de Braga, vai ser ouvido na qualidade de arguido num processo de corrupção. O dirigente socialista diz-se de "consciência tranquila"

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

O secretário nacional do PS para a Organização, Hugo Pires, vai ser constituído arguido num processo por corrupção. O arquitecto de 36 anos, deputado, ex-presidente da concelhia do PS de Braga e vereador da Câmara Municipal de Braga, viu hoje levantada a sua imunidade parlamentar para poder prestar declarações como arguido no âmbito de "um crime de participação económica em negócio" - crime punível com uma pena até cinco anos e uma multa de 50 a 100 dias.

Contactado pelo Expresso, o dirigente socialista confirmou já ter sido informado pela Comissão de Ética do levantamento da imunidade parlamentar. Aguarda agora a notificação do Tribunal para ir prestar depoimento escrito no que descreve ser um caso relativo a "uma expropriação que não se chegou a concretizar". "Estou de consciência tranquila", disse ainda, garantindo que o seu processo nada tem que ver com o que levou à detenção, esta noite, do seu antigo camarada na vereação de Braga, Vítor de Sousa.

Num comunicado enviado de madrugada às redações, a concelhia socialista de Braga confirma o levantamento da imunidade parlamentar do seu ex-dirigente e acrescenta que o que está em causa "respeita ao designado “caso das Convertidas”, em que, enquanto vereador da tutela do Urbanismo e Juventude, Hugo Pires tomou a iniciativa de propor a expropriação de umas parcelas de terreno situadas na Avenida Central para aí ser instalada a nova Pousada de Juventude da cidade, expropriação que não chegou a consumar-se". O texto sublinha que o deputado "aguarda agora a notificação do Tribunal para ir prestar depoimento, o que fará com a consciência tranquila de não ter nunca proposto ou participado em qualquer deliberação que causasse intencional dano ao erário público ou particular".

Hugo Pires ocupa o lugar de secretário nacional para a Organização desde dezembro, tendo substituído Jorge Gomes (que foi para o Governo de António Costa como secretário de Estado da Administração Interna). Trata-se de um dos mais importantes lugares na hierarquia do Largo do Rato (é, afinal, o responsável pela máquina partidária). Entre outros, já foi ocupado por Lopes Cardoso (no tempo de Jorge Sampaio), Jorge Coelho e António Galamba (com António Guterres), Paulo Pedroso e Vieira da Silva (na liderança de Ferro Rodrigues), Marcos Perestrello e André Figueiredo (na de José Sócrates) e Miguel Laranjeiro (no mandato de António José Seguro).