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PSD responsabiliza Governo por "danos de reputação" a Portugal

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Em causa, a forma como está a ser conduzido o processo orçamental. PS devolve acusações e fala em “tentativa de boicote” junto da Comissão Europeia por parte de sociais-democratas e centristas

O PSD defendeu esta quarta-feira que o Governo provocou "danos de reputação" a Portugal com a condução do processo orçamental, e em resposta ouviu o PS acusar sociais-democratas e centristas de "tentativa de boicote" junto da Comissão Europeia.

Este debate começou com uma declaração política do PSD em plenário, feita por Luís Campos Ferreira, que afirmou que o executivo do PS demonstrou "impreparação" e "falta de credibilidade" na preparação do Orçamento do Estado para 2016 e não terá "uma segunda oportunidade para criar uma primeira boa impressão".

Na resposta, o deputado do PS João Galamba acusou o PSD de "tentar influenciar negativamente a Comissão Europeia no sentido de impor mais austeridade aos portugueses", acrescentando: "Cá estaremos para ver a sua azia no final de todo este processo". Depois, incluiu também o CDS-PP nesta acusação de "tentativa de boicote deliberado".

"Enchem a boca de patriotismo, usam a bandeira na lapela, mas não perdem a oportunidade para minar os esforços do Governo legítimo da República", alegou o socialista.

A deputada do CDS-PP Cecília Meireles reagiu às palavras de João Galamba considerando-as "uma vergonha" e rejeitou que o patriotismo da sua bancada seja julgado por "alguém que trouxe a 'troika' e fugiu às responsabilidades", observando: "Nós não queremos ver esse filme outra vez, não queremos que Portugal volte a passar por isso".

Quanto ao Orçamento do Estado para 2016, Cecília Meireles disse que o CDS-PP deseja "que as coisas corram bem para Portugal", mas discorda do caminho seguido: "O nosso caminho era diferente, era o do gradualismo, porque nós queremos que a reposição de rendimentos seja para sempre".

A seguir, o deputado do PSD Luís Campos Ferreira declarou que não iria "responder nos mesmos moldes" ao socialista João Galamba, que acusou de discursar com um "misto de sobranceria com falta de educação", e reiterou que há "falta de credibilidade" no esboço orçamental.

O ex-secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação invocou as posições assumidas pelo Conselho de Finanças Públicas e pela Unidade Técnica de Apoio Orçamental, e perguntou ao PS se também acusa essas entidades de "pressionar Bruxelas".

"Não nos podemos pôr com essas pantominices, não fica bem. E o senhor deputado pode achar que tem muita gracinha, mas não é dessa forma que se devem discutir os assuntos sérios", prosseguiu, antes de acrescentar que João Galamba "não deseja mais nem melhor a Portugal" do que o PSD.

O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, subscreveu a ideia de que "há uma claque na direita em Portugal que bate palmas" à Comissão Europeia e à sua "agenda política de choque e pavor".

Também o líder parlamentar do PCP, João Oliveira, concordou que há um "alinhamento do PSD e do CDS com a Comissão Europeia" contra o interesse nacional, dos trabalhadores e pensionistas. "A verdadeira preocupação do PSD e do CDS-PP é com a perspetiva de devolver aos portugueses aquilo que os senhores roubaram", sustentou.

Campos Ferreira desafiou PCP e BE a assumirem que são "contra a Europa, contra o euro", defendendo que "essa é que é a questão de fundo" e que o PS foi arrastado pelas posições desses partidos.

"O PS quer fazer a vontade a tudo e a todos. Lá saberá no sarilho e na alhada em que nos quer meter", declarou.