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Governador do Banco de Portugal é “um perigo para o país”, diz Louçã

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Marcos Borga

O antigo líder do Bloco de Esquerda defende estar em causa a condução dos processos de resolução do antigo BES e do Banif por Carlos Costa. “Atuou pessimamente. Ou por decisão própria, ou por impulso de Frankfurt, o facto é que o governador contribuiu para uma iniciativa que foi desastrosa para a economia portuguesa”

Em entrevista à agência Lusa, o ex-dirigente bloquista Francisco Louçã considera que Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, "é um perigo para Portugal", apontando-lhe várias críticas na condução dos processos de resolução do antigo Banco Espírito Santo (BES) e, mais recentemente, no Banif.

"Creio que este governador demonstrou uma impreparação técnica, uma vulnerabilidade a pressões externas e uma incapacidade de consolidar o sistema bancário com o sistema de confiança para os depositantes que o torna um perigo para Portugal", afirma o economista.

Louçã foi muito crítico à atuação de Carlos Costa no caso Banif. "Atuou pessimamente. Ou por decisão própria, ou por impulso de Frankfurt, o facto é que o governador contribuiu para uma iniciativa que foi desastrosa para a economia portuguesa".

Também no caso do antigo BES, Francisco Louçã considera ser "muito chocante a impreparação do governador do Banco de Portugal neste processo", acusando-o de conhecer os detalhes da "vinculação tóxica entre o Grupo Espírito Santo (GES) e o BES" quase um ano antes da resolução do banco e de não agir. "Nesse ano não tem nenhuma desculpa para não ter atuado. E quando atuou, atuou mal", considera.

Além disso, apontou que o registo das perdas do Novo Banco, aquando da venda, pode trazer mais problemas: "Se for vendido, o que já de si é uma péssima decisão, está evidente que não há nenhuma condição para reaver os 3.900 milhões de euros dos empréstimos do banco; que o Fundo de Resolução vai ter prejuízos, que isso significa redução de receita fiscal ao longo dos próximos anos", enumerou.

Bruxelas e o BCE "conseguiram impor a sua vontade"

O antigo dirigente do Bloco de Esquerda imputa também responsabilidades à Comissão Europeia e ao Banco Central Europeu (BCE), que "conseguiram impor a sua vontade", considerando que "era evidente" que Bruxelas "queria capitalizar o Santander".

Citando um 'email' da unidade de supervisão do BCE divulgado recentemente, Francisco Louçã critica as condições "de um concurso totalmente viciado" e aponta que não foi aceite "nenhuma das outras propostas" de compra do banco além da do Santander Totta, porque a venda ao banco espanhol já tinha sido "previamente aprovada" por Bruxelas.

"O acordo é uma prova exuberante desta violência institucional. O Santander aliás não o escondeu, veio declarar nas contas em que 20 dias tinha feito 280 milhões de euros de lucro", considerou, sublinhando que esta é "a ação política do BCE e da Comissão Europeia".

Mário Centeno foi também visado nas críticas. Segundo Louçã, o ministro das Finanças tem mostrado "bastante vulnerabilidade" às pressões externas. "Portugal não pode continuar a ceder aos colapsos bancários sucessivos financiados por impostos", defendeu.

Por outro lado, e nas críticas ainda ao setor bancário, Francisco Louçã defende que a banca portuguesa "não pode continuar a depender do BCE, porque se a banca todos os dias recorre a empréstimos de liquidez, quer dizer que não está a funcionar". "O sistema bancário tem uma espécie de privilégio exorbitante, majestático, de recorrer a uma tia rica, que lhe está sempre a financiar liquidez sem criar as condições do seu próprio financiamento".