Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Médicos reformados que voltarem ao SNS podem acumular pensão e salário

  • 333

Paulo Vaz Henriques

Medida visa combater a corrida às reformas antecipadas e a forte emigração que se tem sentido no sector nos últimos anos. Até agora, clínicos que regressassem recebiam pensão e um terço do salário ou o contrário

Os médicos reformados vão passar a poder acumular a pensão e um salário se voltarem ao Serviço Nacional de Saúde, revela o “Diário de Notícias” desta segunda-feira. A medida está a ser preparada entre os Ministérios da Saúde e das Finanças e visa compensar a falta de profissionais de saúde, sobretudo na área da medicina familiar.

A ideia não é nova e tem sido reivindicada pela Ordem dos Médicos, uma vez que nos últimos anos o número de clínicos que se reformaram ou emigraram tem vindo a aumentar. Nos últimos cinco anos, reformaram-se 1299 médicos em Portugal, sendo que só em 2015 houve 430 médicos que saíram do ativo e 475 que deixaram o país.

A solução proposta pelo Ministério da Saúde consiste na criação de uma bolsa de horas cujo pagamento pode chegar até um salário, adianta o matutino. O mesmo título adianta que o ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes quer ainda negociar incentivos para os médicos com mais de 50 anos que fizerem urgências diurnas e noturnas.

Foi durante o segundo mandato de José Sócrates como primeiro-ministro, com Ana Jorge na pasta da Saúde, que os médicos reformados passaram a poder regressar ao ativo. No entanto, entre 2010 e 2015 apenas 300 médicos voltaram a trabalhar, uma vez que até agora o incentivo oferecido consistia apenas em receber um salário e um terço da pensão ou o contrário.

“Um terço dos novos médicos não vai ter emprego”

Em entrevista ao “DN”, o bastonário da Ordem dos Médicos José Manuel Silva explica que é “natural” que a emigração no sector esteja a aumentar, uma vez que “o número de novos médicos é muito alto, é o dobro dos reformados” e, portanto, se prevê que no futuro “um terço não tenha emprego”.

Garantindo que os motivos para a corrida às reformas antecipadas se prendem com “as dificuldades em contratar, atrasos nas colocações, degradação das condições de trabalho, baixas remunerações e concursos pouco transparentes”, o bastonário acrescenta ainda que um terço dos clínicos que emigraram no último ano foram médicos de família.