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Conselheiro de Costa. “A União Europeia corre o risco de se transformar numa União Soviética”

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O socialista defendeu a solução de Governo assente nos acordos à esquerda

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Responsável pelas relações internacionais do PS tece duras críticas ao funcionamento das instituições europeias: “A UE é na prática gerida por uma ideologia dominante que não aceita alternativas”, diz Porfírio Silva

“Para falar verdade, não posso ser brando”. Assim explica Porfírio Silva, conselheiro de António Costa e responsável pelas relações internacionais do PS, as fortes críticas que tece às instituições europeias, onde defende haver uma “ideologia dominante” dominada pela direita.

Em entrevista ao “i”, o socialista afirma mesmo que “a União Europeia corre o risco de se transformar numa União Soviética”: “A UE é na prática gerida por uma ideologia dominante que não aceita alternativas e mesmo por uma espécie de novo partido dominante. A direita europeia, organizada no PPE [grupo parlamentar do qual também fazem parte PSD e CDS] acaba por controlar governos e ter uma força desmesurada na Comissão Europeia”, acrescenta.

O responsável pelas relações socialistas com a Europa explica ao matutino que “o funcionamento democrático da UE é ameaçado se houver esta tentativa sistemática de transmitir sinais negativos quando um país faz uma escolha de esquerda”, defendendo que a burocracia na União Europeia serve para defender uma atitude concreta: “Nós já temos a nossa opinião e não queremos discutir isso”.

Recusando “diabolizar as instituições”, o conselheiro do atual primeiro-ministro denuncia os “funcionários públicos que se deixam transformar em arremesso da direita”, falando de “responsáveis em Bruxelas que têm andado a chamar jornalistas para, em off, envenenar a comunicação social contra Portugal”.

As críticas à atuação de alguns dos funcionários europeus são duras: “Aqueles que foram pródigos em previsões falhadas não deveriam ser tão lestos a prejudicar a cooperação que devia ser leal entre estados membros e instituições europeias”, diz o socialista, acrescentando que houve diferenças na forma como Bruxelas lidou com os casos do Novo Banco e do Banif.

“A maioria de esquerda não é uma máquina perfeita”

Na mesma entrevista, o socialista tem ainda tempo para comentar os acordos à esquerda que possibilitaram a formação do novo Governo: “Eu não fujo da palavra geringonça. Sim, a maioria parlamentar de esquerda não é uma máquina perfeita, e ainda bem que não é. A ideia de perfeição numa comunidade política é perigosa, uma ideia totalitária”, explica, acusando a direita de “nos obrigar a fazer um prato que não é aquilo que precisamos de comer”.

Sobre as presidenciais, o socialista sublinha que os resultados dos candidatos da sua área política se devem a vários fatores, da “publicidade gratuita de anos a fio” de Marcelo Rebelo de Sousa em televisão às críticas de dirigentes do PS a Sampaio da Nóvoa ou a uma “instrumentalização” da candidatura de Maria de Belém: “Sem o caso das subvenções, acredito que teria havido segunda volta”.