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Slogan para a reeleição: “Social-democracia, sempre!”

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ANTÓNIO COTRIM

Passos recandidata-se na quinta-feira a líder do PSD: “Não me vou reiventar. O país é que mudou”

Pedro Passos Coelho anuncia na quinta-feira, em Lisboa, a sua recandidatura a um quarto mandato como líder do PSD. Será o primeiro ato de dois meses em campanha eleitoral. Passos parte já no próximo fim de semana para uma volta ao país, com um slogan escolhido a dedo: “Social-democracia, sempre”.

Nada mais ajustado ao pedido que em crescendo lhe fazem dentro do partido para que recentre o discurso, modere o tom, dê mais atenção às pessoas, e aproveite a “deriva” esquerdista do PS (e a entrada em cena da sucessora de Portas no CDS) para ocupar o centro que decide as eleições.

Passos sabe o que tem que fazer, mas também sabe que hipotecar numa cambalhota estilística a imagem mais racional e austera que consolidou nestes anos e que lhe permitiu vencer as legislativas seria fatal. Ainda a ensaiar o ponto de equilíbrio, o líder do PSD recusa ceder à ideia de descaracterização: “Não me vou reinventar”, afirmou ao Expresso, “a circunstância do país é que mudou, fruto do que fizemos nestes anos e que nos permitiria fazer diferente numa segunda legislatura”.

Apeado do poder depois de ganhar as eleições, o ex-primeiro-ministro vai entrar em campanha com um objetivo central: mostrar que, sem renegar o passado — “fizemos o que tinha de ser feito, tal como Mário Soares aplicou um programa de austeridade em 83”, é uma das sua frases repetidas — o que faria num segundo mandato seria diferente. E é esse processo interrompido que se propõe reatar num esperado regresso ao poder.

Levará a mensagem às estruturas do partido mas irá além disso. Não sendo uns Estados Gerais clássicos, esta volta será uma forma de ouvir a sociedade civil e de recolher contributos para a moção de estratégia que Passos levará ao congresso.

Antes, nas eleições diretas em que irá a votos no partido, não corre o mais pequeno risco de não ser reeleito com uma votação esmagadora (não se prevê nenhuma candidatura alternativa), mas terá de acalmar os que lhe pedem que corrija a rota e recentre o PSD. A escolha do slogan é uma primeira resposta: geneticamente, sociais-democratas e reformistas, tiveram de governar a doer em condições absolutamente excecionais, mas voltarão a ser fiéis à sua matriz. Os temas alinhados para o mês que aí vem são a pensar nisso.

Passos propõe-se marcar a agenda política, legislativa e mediática com iniciativas em áreas como o combate às desigualdades sociais, o combate aos privilégios, o reforço da economia social, o incentivo às indústrias do conhecimento, a reforma do Estado, e a valorização da agricultura como grande ativo económico (aqui, a atenção a Assunção Cristas está em marcha).

Estão previstas visitas de cariz social, encontros com jovens, empresários e outros grupos socioprofissionais. Com todo um novo contexto político — um novo Presidente (a exigir pactos de regime), um novo Governo e um inesperado novo contexto político-partidário — Passos sabe que as pessoas esperam um virar de página e que a campanha de Marcelo Rebelo de Sousa ajudou a espicaçar os eleitores.

Sem se querer comprometer com boias de salvação para António Costa, o líder do PSD quer garantir que, se houver eleições antecipadas, está em condições de dar luta. Se não estiver, o partido falará.