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Banco Popular queria pagar zero euros pelo Banif e reduzir 900 trabalhadores

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Sexta-feira, 29 de janeiro: o dia da longa maratona do ministro das Finanças, Mário Centeno, para esclarecer os deputados membros da Comissão de Orçamento sobre a venda do Banif

Marcos Borga

Para o Governo, o melhor destino do Banif teria sido a fusão com a CGD, mas a Caixa não podia. À Comissão de Orçamento, o ministro das Finanças, Mário Centeno, revela que o Banco Popular só queria comprar uma parte muito reduzida do Banif a custo zero. E ainda por cima acabava com 900 postos de trabalho

O ministro das Finanças, Mário Centeno, disse esta sexta-feira à Comissão de Orçamento da Assembleia da República, que o programa de ajustamento definido com a 'troika' pressupunha a consolidação da banca portuguesa, questionando porque é que tal não foi feito ou pelo menos pensado pelo anterior governo. "No momento em que as recapitalizações foram feitas [2012 e 2013] era um elemento a considerar no programa de ajustamento. Até porque um dos objetivos do programa era a consolidação da banca", destacou o governante durante a sua audição no parlamento.

"Esta fusão [entre a CGD e o Banif], ou outras que pudessem acontecer, teriam sido passos no sentido de cumprir esses objetivos e na capacidade de reforçar a dimensão pública do setor financeiro", vincou. E acrescentou: "Discutir hoje longamente essa questão não está em cima da mesa, mas é necessário explicar porque é que não foi sequer posta em discussão essa possibilidade na altura".

Olhando para dezembro último, Centeno voltou a afirmar que a solução preferida pelo executivo de António Costa para resolver o problema do Banif era a sua fusão com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), explicando que a mesma salvaguardava a "estabilidade financeira e os recursos públicos" que estavam alocados no Banif.

"Explicámos [a Bruxelas] as razões dessa preferência. Mas a concretização do ponto de vista regulamentar da fusão do Banif com a CGD passava por levantar algumas restrições que a CGD tinha quanto à aquisição de outros bancos, porque a CGD ainda está com o processo de devolução de CoCo [instrumentos híbridos de capital], que ainda não foram pagos" pelo banco público ao Estado, assinalou o ministro.

E havia uma restrição adicional, sublinhou, explicando que "a passagem da atividade bancária do Banif tinha que se processar num processo competitivo, porque também implicava auxílios estatais".

Proposta do Banco Popular implicava 900 despedimentos

O ministro das Finanças disse ainda que as ofertas feitas pelos bancos Popular e Santander Totta para a compra da posição do Estado no Banif, durante a venda voluntária, com o banco Popular a dar zero euros. "A valorização dessas propostas é complexa", afirmou o governante, vincando a diferença entre a venda voluntária da participação estatal no Banif antes da resolução e o processo de venda no âmbito da intervenção das autoridades no banco.

"A proposta do Banco Santander, tal como apresentada pelo Banif, era a de excluir 3.022 milhões de euros de ativos e oferecer um preço de 150 milhões de euros. Não propunha a devolução de 'CoCos' [a última fatia de instrumentos híbridos de capital subscritos pelo Estado no valor de 125 milhões de euros] e apontava para uma redução de 800 trabalhadores", avançou Centeno.

"Os ativos que o Popular se propunha não comprar ascendiam a 7.725 milhões de euros. O Popular propunha-se comprar apenas uma parte muito reduzida do Banif e pagava zero e reduzia 900 trabalhadores", disse o ministro, perante a insistência dos deputados que o ouviam na Comissão de Orçamento e Finanças.
Mário Centeno vincou que "todos estes números são válidos fora do cenário de resolução". E acrescentou que os valores apresentados são apenas uma parte das propostas que os dois bancos que integram grupos espanhóis avançaram para adquirir a participação de 60% que o Estado detinha no Banif até à sua resolução.

"As propostas vão ser seguramente do conhecimento da comissão parlamentar", assinalou o titular da pasta das Finanças.

Já passava das 23h00 quando terminaram os trabalhos da Comissão de Orçamento e Finanças, que tinha tido início pelas 17h00, e por onde passaram o governador do Banco de Portugal e o ministro da tutela.