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Lobo Xavier cobre Assunção Cristas de elogios

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“Mãe realizada e feliz”, “profissional brilhante e de sucesso”, “ministra com obra respeitada” - tudo vale para elogiar a candidata à sucessão de Portas. No texto publicado no jornal do CDS, Xavier desvaloriza a curta história de Cristas no partido

Filipe Santos Costa

Filipe Santos Costa

Jornalista da secção Política

Tem "inteligência", "vontade" e "humildade". Não é "radical, aparelhista, insensível ou fútil". Tem "boa dose" de "determinação, de convicções, de causas, de equilíbrio, de criatividade, de imaginação e [mais uma vez...] de inteligência". As palavras são de António Lobo Xavier, num texto publicado na "Folha CDS", o jornal online do partido, e retratam Assunção Cristas, a única candidata à sucessão de Paulo Portas na presidência do CDS.

É a única e, para Lobo Xavier, basta. "Pela minha parte, não preciso de saber mais nada para fazer a minha escolha. Vi, satisfeito e tranquilizado, o modo inteligente e frontal como exprimiu a sua decisão - com um olhar que não disfarça uma enorme vontade interior, mas ao mesmo tempo com a humildade dos que sabem que precisam de conquistar palmo a palmo um partido ainda perturbado e já saudoso."

No longo rol de argumentos que Lobo Xavier apresenta para apoiar a candidatura de Cristas, tudo vale, do perfil familiar à carreira profissional e política. "Como mãe realizada e feliz, como profissional brilhante e de sucesso, como ministra com obra respeitada, Assunção Cristas é o melhor símbolo dessa renovação de quadros que Paulo Portas foi pacientemente operando nos últimos anos."

A comparação com Portas

O antigo dirigente centrista (foi vice-presidente do partido e líder do grupo parlamentar, além de ter em tempos ensaiado uma candidatura à liderança do partido) desvaloriza, por outro lado, o ainda curto currículo partidário da ex-ministra, que se filiou no CDS apenas em 2007, tendo entrado diretamente para cargos de direção. "Bem sei que está no partido somente há alguns anos. O tempo já nos ensinou, porém, que a antiguidade não é sempre um bom critério... A vida política é mesmo assim: quantos militantes históricos do partido não se encontram hoje em outras paragens ideológicas e partidárias?"

Mais: Xavier faz mesmo um paralelismo entre a situação de Assunção Cristas e a de Portas - "que teria sido a história mais recente do CDS se, em nome da sua fresca filiação, tivéssemos impedido a eleição de Paulo Portas?", questiona, numa referência ao facto, hoje pouco lembrado, de Portas ter chegado à presidência do CDS em 1998, quando tinha cartão de militante há apenas dois anos (embora já tivesse muitos anos de "direção" do CDS na sombra, enquanto era diretor d'O Independente...)

Em todo o caso, o atual comentador da "Quadratura do Círculo" não hesita em invocar o seu histórico no partido para afirmar que "os tempos que se adivinham pedem muito mais do que uma liderança com legitimidade histórica".

E nota que "não deixa de ser sintomática" a reação comedida dos adversários perante o avanço de Cristas: "Dela não podem dizer que é radical, aparelhista, insensível ou fútil. Para o que estamos habituados na história do CDS, há que reconhecer que se trata de um excelente começo".

  • Antigo líder parlamentar do CDS diz ainda que Assunção Cristas, candidata a líder do partido, é o “melhor símbolo dessa renovação de quadros que Paulo Portas foi pacientemente operando”. E deixa grandes elogios a Portas: “Pela primeira vez na sua história, o CDS vai perder um presidente indubitavelmente querido pelos seus militantes e simpatizantes, que não sentiu qualquer desencanto pela vida partidária nem tão-pouco é responsável por qualquer desaire eleitoral”