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Guterres “disponível” para cargo de secretário-geral da ONU

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António Guterres acompanhado por Luís Braga da Cruz, antigo presidente da Fundação Serralves, durante o debate "Estudo de caso: A tragédia dos refugiados e a resposta internacional"

ESTELA SILVA / Silva

António Guterres acredita que para um cargo deste tipo nunca se está “totalmente preparado” mas assegura estar disponível para, “numa lógica que sempre foi de serviço público, num mundo que está em situação muito difícil”, servir as causas mais nobres, como a manutenção da paz, os direitos humanos e a sustentabilidade

Taísa Pagno

“A minha atitude é muito simples: disponibilidade”, afirmou António Guterres sobre a sua candidatura a secretário-geral das Nações Unidas (ONU), esta segunda-feira, na Fundação Serralves.

Em depoimento aos jornalistas, à saída de um debate sobre os refugiados na Europa, o antigo primeiro-ministro garantiu que não será uma candidatura fácil mas que, embora não possa “ser contrário à ideia de que as mulheres têm que ter uma oportunidade em relação aos altos cargos”, tem “o dever de pôr a render” as capacidades adquiridas nas diferentes funções que desempenhou.

O Governo de António Costa já tinha anunciado a intenção de avançar com a candidatura de António Guterres, mesmo antes de este ter confirmado a sua disponibilidade para o cargo. “A candidatura não é pessoal, são propostas pelos Governos”, sublinhou o último, para quem é uma honra aceitar a decisão do Governo.

Aquele que foi o alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) até ao final de 2015 referiu que existem também questões de organização na ONU, em relação às diversas regiões, o que fornece a esse processo “uma grande complexidade”, mas que o encara “com uma enorme tranquilidade”.

O especialista em relações internacionais, Paulo Gorjão, já tinha declarado à Lusa que “a questão do género e a rotação no cargo” são os principais obstáculos para o ex-primeiro ministro socialista aceder a de secretário-geral da ONU.

António Guterres acredita que para um cargo deste tipo nunca se está “totalmente preparado” mas assegura estar disponível para, “numa lógica que sempre foi de serviço público, num mundo que está em situação muito difícil”, servir as causas mais nobres, como a manutenção da paz, os direitos humanos e a sustentabilidade.

Algumas figuras políticas já se manifestaram publicamente a favor da candidatura de António Guterres para o cargo que é ocupado, até 1 de janeiro de 2017, pelo sul-coreano Ban Ki-moon, como é o caso do primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, e do primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada.

Ainda em declarações aos jornalistas, Guterres felicitou Marcelo Rebelo de Sousa pela vitória nas eleições presidenciais deste domingo, desejando que “este ato permita que o país, agora que todos os atos eleitorais estão concluídos, entre em plena normalidade democrática".

O debate “A tragédia dos refugiados e a resposta internacional”, no qual Guterres foi orador, foi moderado pelo presidente do conselho de fundadores de Serralves, Luís Braga da Cruz, tendo como comissário Álvaro Vasconcelos, sendo o penúltimo do ciclo “Tendências Globais 2030: os futuros de Portugal”.