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Corrida à ONU é uma “obrigação”, diz Guterres

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DENIS BALIBOUSE / Reuters

Antigo alto comissário das Nações Unidas para os refugiados sente-se obrigado a estar disponível para a sucessão de Ban Ki-moon e de voltar a servir as Nações Unidas, pondo a render todas as experiências de vida “ao serviço das causas mais nobres, que são a paz, direitos humanos, causas humanitárias e sustentabilidade do planeta”

O antigo primeiro-ministro António Guterres afirmou esta segunda-feira que a sua candidatura a secretário-geral da ONU, que vai ser apresentada pelo Governo, "não é fácil", é uma "obrigação" para colocar a experiência ao serviço de causas nobres.

"Tudo o que aprendi ao longo da vida, em todas as enormes oportunidades que me foram oferecidas, me cria a obrigação de estar disponível, numa lógica que sempre foi de serviço público e num mundo em situação muito difícil, de pôr a render essas experiências e capacidades ao serviço das causas mais nobres, que são a paz, direitos humanos, causas humanitárias e sustentabilidade do planeta", afirmou Guterres falando na Fundação de Serralves, no Porto.

Num comunicado divulgado na semana passada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Governo anunciou que vai apresentar a candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas.

"É nossa firme convicção que o engenheiro António Guterres é a personalidade com melhores condições para exercer esse mandato, correspondendo à necessidade de enfrentar os desafios que hoje se colocam à comunidade internacional", afirma a nota emitida pelo gabinete do ministro Augusto Santos Silva.

O Executivo realçou que a candidatura de António Guterres é "um imperativo" e destacou "a forma exemplar" como exerceu altos cargos internacionais, considerando que possui "as melhores condições" para este mandato.

O ex-alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), tendo terminado o mandato em final de 2015, frisou que aceita com "grande honra" esta candidatura do Governo PS, estando "inteiramente disponível e tranquilo".

Questionado pelos jornalistas sobre se está preparado, António Guterres realçou que "estas são coisas para as quais nunca se está preparado". Apesar de reconhecer que a candidatura "não é fácil", António Guterres salientou que teve o "enorme privilégio" de acumular um conjunto de experiências, desde a revolução em Portugal e, depois, ações como membro de um partido, membro de um Governo e primeiro-ministro.

"Depois, tive esta extraordinária oportunidade de trabalhar dez anos no apoio aos refugiados, algo que me abriu as portas a tudo quanto é vital nas relações internacionais", sustentou.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, disse que a candidatura de António Guterres contará com "todo o empenhamento" de Cabo Verde, adiantando que o português tem a "estatura necessária" para o cargo.

Por seu lado, o primeiro-ministro são-tomense Patrice Trovoada adiantou que António Guterres é uma pessoa com integridade, capacidade e prestígio para desempenhar o cargo de secretário-geral das Nações Unidas.

Em anteriores declarações à Lusa, o especialista em relações internacionais Paulo Gorjão considerou que "a questão do género e a rotação no cargo" são os principais obstáculos que António Guterres enfrenta para ascender ao cargo de secretário-geral da ONU.