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Assis: “Não está no meu horizonte retomar movimento crítico”

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Marcos Borga

Eurodeputado diz ao Expresso que não tem “minimamente equacionado” o que vai fazer no congresso do PS, em junho. E, para já, rejeita qualquer ideia de voltar a reunir o grupo de pessoas que, em novembro, na Mealhada, tentou travar o acordo do PS com as esquerdas

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Francisco Assis garante que não está a pensar retomar o movimento crítico dentro do PS que tentou esboçar em novembro, antes de concretizado o acordo do PS com BE, PCP e PEV. O eurodeputado assegura que não tem "minimamente equacionado" o que irá fazer no congresso do partido - marcado para junho. Mas sempre vai dizendo que retomar o movimento crítico que tentou lançar na Mealhada, em novembro, não está no seu horizonte: "Nem pensei nisso, nunca mais reuni com ninguém".

"O movimento não teve a expressão que eu pretendia", reconhece, numa referência ao jantar de 6 de novembro de 2015, em que eram esperadas centenas de pessoas contra o "erro histórico" da solução das esquerdas, mas não se chegaram a juntar 100. Assis lembra que o caminho seguido pelo PS (aprovado, de resto, por quase unanimidade, pela comissão nacional a 7 de novembro) foi outro. Um caminho que diz estar a acompanhar com atenção, mas sem o objetivo - para já, pelo menos - de lhe opor, como pensava há três meses, "uma corrente interna crítica e alternativa".

Mas segunda-feira, no rescaldo da vitória de Marcelo Rebelo de Sousa nas presidenciais, Francisco Assis voltou a mostrar a sua dicordância com o rumo seguido pelo seu partido e deixou o que pode ser interpretado como um "aviso" de que, daqui a algum tempo, poderá voltar à carga. Num artigo de opinião no "Jornal de Notícias" responsabilizou a "esquerda democrática" pela eleição, "pela terceira vez consecutiva, de um homem da direita para a Presidência da República". "A esquerda democrática está a perder o confronto doutrinário em todas as suas fronteiras; à sua direita não cresce e à sua esquerda não seduz", escreveu. Para concluir: "Quando passar o estado de ilusão que se instalou no PS, haverá muito para discutir e alguma coisa para mudar".