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Guterres e a ONU. Portas manifesta apoio do CDS e empenho pessoal

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José Sena Goulão / Lusa

“António Guterres é, como europeu ocidental, um nome muito forte e saberá sempre honrar a imagem de Portugal lá fora”, frisa o líder dos centristas, avisando que a candidatura “terá de fazer um longo trajeto e vencer uma série de etapas, que não é isenta de dificuldades”

O presidente do CDS expressou esta sexta-feira, em nome dos centristas e a título pessoal o seu apoio e empenhamento na candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas, salientando que há dificuldades nesse processo.

"A primeira condição para uma candidatura ser bem-sucedida é o consenso interno à volta do nome proposto e eu disse ao primeiro-ministro que o CDS, evidentemente, participaria desse consenso. Nós sabemos distinguir o que são controvérsias políticas do que são interesses permanentes do Estado português e, por isso mesmo, não quero deixar de dar esta palavra favorável, com o nosso empenhamento", afirmou Paulo Portas.

Falando aos jornalistas no Parlamento, o líder centrista disse que na conversa que manteve com o primeiro-ministro, por iniciativa deste, acerca da candidatura de Guterres, lhe pareceu que "o Governo português estava consciente de que uma candidatura terá de fazer um longo trajeto e vencer uma série de etapas, que não é isenta de dificuldades".

"Também me parece evidente que o engenheiro António Guterres é, como europeu ocidental, um nome muito forte e saberá sempre honrar a imagem de Portugal lá fora", frisou.

Portas aludiu a "um conjunto de circunstâncias que não dependem apenas dos candidatos" e que fazem da próxima eleição do secretário-geral das Nações Unidas um processo não clássico de eleição pessoal e difícil para António Guterres.

"É preciso, nomeadamente, ter a disposição favorável do Conselho de Segurança, a não oposição dos membros permanentes do Conselho de Segurança e ter em atenção uma regra, que é mais um costume do que uma formalidade, em que essa eleição segue uma rotação continental e geográfica", sustentou.

O líder do CDS, que foi ministro dos Negócios Estrangeiros no Governo anterior, declarou ter sido "testemunha do elevado prestígio e apreço que existe pelo engenheiro António Guterres no âmbito da Nações Unidas, das suas agências e do seu corpo de servidores".

"O engenheiro António Guterres como alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados, em circunstâncias internacionais muito exigentes, foi evidentemente notado e é aplaudido e reconhecido", afirmou.

Num comunicado divulgado esta manhã pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Executivo anuncia que vai apresentar a candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas. "É nossa firme convicção que o engenheiro António Guterres é a personalidade com melhores condições para exercer esse mandato, correspondendo à necessidade de enfrentar os desafios que hoje se colocam à comunidade internacional", afirma a nota emitida pelo gabinete do ministro Augusto Santos Silva.

O Governo considera que a "longa experiência política" e "a forma exemplar" como o antigo primeiro-ministro socialista exerceu altos cargos internacionais "demonstram cabalmente os méritos desta candidatura, que o Governo entende constituir um imperativo, num tempo em que, mais do que em qualquer outro, o mundo se tem de mobilizar em torno da paz e do desenvolvimento".

António Guterres foi alto comissário das ONU para os Refugiados durante dez anos, tendo terminado o mandato em final de 2015.