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BE aplaude indicação de Guterres para a ONU

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TORU YAMANAKA/AFP/GETTY

Para o deputado bloquista José Manuel Pureza, a experiência de António Guterres enquanto alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados será “extraordinariamente importante” para o cargo de secretário-geral da organização

O deputado do Bloco de Esquerda José Manuel Pureza considerou esta sexta-feira acertado o nome de António Guterres para candidatura a secretário-geral das Nações Unidas, reconhecendo o trabalho de "coragem e lucidez" que este desempenhou no ACNUR.

O antigo primeiro-ministro e alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) António Guterres deverá ser o nome proposto pelo Governo português para o cargo de secretário-geral da ONU, noticia esats exta-feira o jornal "Público".

Em declarações à agência Lusa, o deputado do Bloco de Esquerda (BE) José Manuel Pureza revelou que António Guterres é uma personalidade internacional "que se destacou nos últimos anos no seu compromisso numa das causas maiores do mundo contemporâneo que é, e vai continuar a ser, pelas piores razões, a proteção dos refugiados".

"António Guterres destacou-se desse ponto de vista como alguém com coragem, lucidez, com exigências sérias aos Estados e, se António Guterres vier a ser eleito secretário-geral das Nações Unidas, naturalmente que esta experiência de alto-comissário das Nações Unidas para os Refugiados será extraordinariamente importante para o modo como esperamos que exerça esse mandato", afirmou José Manuel Pureza.

O ex-líder parlamentar do BE reconheceu que, se António Guterres desempenhar o papel de secretário-geral das Nações Unidos à semelhança do que fez enquanto esteve no ACNUR, com "o mesmo espirito, compromisso essencial e com dignidade daqueles que nada têm (...), dará um contributo muito positivo para a paz, desenvolvimento e igualdade".

José Manuel Pureza salientou o facto de o apoio do Bloco de Esquerda a António Guterres não se limitar à candidatura de "um português por ser português", mas sim de colocar em destaque o papel que o antigo primeiro-ministro teve enquanto alto-comissário das Nações Unidas.

"Esperar que o desempenho que eventualmente venha a ter como secretário-geral siga o mesmo compromisso essencial com a prioridade a dar aos mais frágeis, àqueles a quem os direitos não são reconhecidos, àqueles que são totalmente esquecidos no mundo da 'real politic'", frisou.

O deputado bloquista lembrou ainda que houve portugueses que foram eleitos para cargos internacionais e isso "não significou um contributo positivo", ilustrando com o exemplo de Durão Barroso enquanto presidente da Comissão Europeia e criticando o seu desempenho à frente do organismo europeu.

De acordo com a edição de hoje do jornal do "Público", a apresentação oficial da candidatura do antigo primeiro-ministro socialista, que até 31 de dezembro passado ocupou o cargo de alto-comissário da das Nações Unidas para os Refugiados, deverá ser feita em fevereiro.

O "Público" adianta que o primeiro-ministro, António Costa, já informou o Presidente da República, Cavaco Silva, de que está a proceder às diligências inerentes ao patrocínio da candidatura de Guterres e que já terá comunicado a intenção aos líderes partidários com assento parlamentar.

Segundo o jornal, o Governo também já está a realizar contatos diplomáticos para apoios à candidatura de Guterres junto de vários países, tendo desde já assegurado que a candidatura "não será vítima do veto por parte de nenhum dos cinco países-membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas" (França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos da América).
O antigo chefe de Governo português foi eleito para o ACNUR em junho de 2005 e reeleito cinco anos depois para um segundo mandato, tendo sido substituido no cargo da ONU pelo diplomata italiano Filippo Grandi.

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