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Morte por falta de assistência no São José é “uma lição” sobre os perigos dos cortes

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O ministro Adalberto Campos Fernandes, acompanhado por Matos Rosa, que preside à comissão parlamentar da Saúde, durante a audiência desta manhã

ANTÓNIO COTRIM / Lusa

Ministro da Saúde acredita que as investigações vão esclarecer o que se passou com David Duarte, de 29 anos, que perdeu a vida na madrugada de 13 para 14 de dezembro (de domingo para segunda-feira) no Hospital de São José, em Lisboa, porque a equipa médica que o poderia salvar recusava trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Estado pagava

O ministro da Saúde considera que o caso da morte de um jovem no hospital de São José é uma lição sobre os cortes e de como estes "não são perigosos pela sua plenitude, mas pela falta de seletividade".

Adalberto Campos Fernandes está a ser ouvido esta manhã pela primeira vez na Comissão Parlamentar da Saúde como ministro da tutela, numa audição solicitada pelo PCP a propósito do caso de David Duarte, que morreu na madrugada de 14 de dezembro após ter dado entrada no São José com um aneurisma roto.

Para o ministro, que acredita que as investigações em curso irão esclarecer o que efetivamente aconteceu no atendimento do jovem, "havia que ter tido a atenção e diligência" de perceber que seria "pouco prudente" deixar de existir uma resposta, tal como havia até 2013.

Sobre os cortes orçamentais e o seu impacto na resposta da Saúde, Adalberto Campos Fernandes disse aos deputados que "é tão errado culpar os cortes, como dizer que não têm qualquer efeito". "Em toda a parte do mundo, quando expomos um país a um quadro de empobrecimento, quando agravamos as condições de vida das pessoas, criamos condições para que a saúde das pessoas piore", adiantou.

Adalberto Campos Fernandes recordou que a união entre a pobreza e a doença é "o único casamento que não se dissolve".

O ministro reconhece que "os países não passam só por bons momentos", defendendo que "perante quadros de restrição financeira, há sempre a possibilidade de escolhas diferentes".

Sobre o anterior Governo, disse que este "tentou valorizar menos o impacto dos cortes" e que tinha uma visão "relativamente fundamentalista dos cortes".

Ainda sobre este caso da morte no Hospital São José, Adalberto Campos Fernandes lamentou a sua excessiva mediatização e afirmou que na gestão deste tipo de casos tem sido ofendida a dignidade de 120 mil profissionais do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

"O SNS não é só algo que proclamamos em momentos festivos. É algo que os portugueses respeitam e temos de fazer alguma coisa para recuperar o prestígio e a boa imagem do sistema", defendeu.