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Gestão da TAP terá de ser negociada entre Governo e consórcio privado, defende ministro

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O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, falou esta quarta-feira na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas

ANTÓNIO COTRIM

Na Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, o ministro Pedro Marques criticou o processo de negociação “claramente incompleto, apressado e pouco cuidado” conduzido pelo anterior Governo

O ministro do Planeamento e das Infraestruturas, Pedro Marques, esclareceu esta quarta-feira que o Governo “encara com normalidade a partilha da gestão [da TAP] com o consórcio privado”. Em declarações na comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas, Pedro Marques deixou algumas explicações sobre a forma como o processo de recuperação do capital da companhia aérea está a ser conduzido e teceu críticas ao anterior Governo.

O ministro garante que o consórcio Gateway, que em resultado das negociações com o Executivo de Passos Coelho e Paulo Portas detém 61% do capital da TAP, está a negociar o regresso do Estado como acionista maioritário com “lealdade”, salientando que “o Estado considera importante a participação de um parceiro privado minoritário na empresa, que precisava de ser capitalizada”.

Sobre o processo de negociação “incompleto” conduzido pelo anterior Governo e que levou à entrega da maioria do capital da companhia aérea ao consórcio privado, Pedro Marques deixa críticas: “O processo de privatização que estava em curso era um processo claramente incompleto, que garantia 61% do capital da TAP, com opção de compra até 95% ou até 100% a privados e por isso suporta a decisão deste Governo de voltar a negociar”.

Ainda sobre os moldes do negócio conduzido pelo Governo liderado por Passos Coelho, o ministro disse não perceber “como é que a direita se bastava com um processo naqueles moldes, sem salvaguarda dos interesses nacionais”, falando de um processo “apressado e pouco cuidado” e levado a cabo por um Governo “já demitido”.

Questionado sobre o papel do Estado num cenário em que a Gateway continue a administrar a empresa, Pedro Marques explicou que “o papel do Estado será o de acionista maioritário e a gestão terá de ser negociada”. Sem adiantar novos pormenores, o governante acrescentou que o negócio interessa ao Estado para “manter a perenidade da empresa e das ligações aos países lusófonos”: “Havia um processo de negociação que significava que daqui a dois anos o Estado não teria uma palavra a dizer sobre a TAP”, criticou.

Consórcio desvaloriza titularidade do capital

Se inicialmente a Gateway se mostrou reticente em relação às negociações com o Governo de Costa, tendo David Neeleman, dono da TAP com Humberto Pedrosa, chegado a dizer que “jamais teria entrado num concurso para comprar 49% de uma empresa com todos os problemas que a TAP tem”, a verdade é que o consórcio parece ter mudado de opinião e agora já desvaloriza o tema da titularidade da maioria do capital, tendo o empresário argumentado na semana passada que “a gestão é o mais importante”.

O ministro, que já se reuniu por três vezes com o consórcio, desvaloriza os desentendimentos: “O consórcio está a negociar com lealdade e lisura negocial, independentemente das declarações que se fazem nesta ou naquela situação”, justifica.