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“Tinha de vir, porque se não viesse a gripe não ficava bem curada”

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Maria de Belém e Almeida Santos este domingo, na Figueira da Foz

Lucília Monteiro

António Almeida Santos fez o seu último discurso político este domingo, num almoço de apoio a Maria de Belém, em Buarcos, Figueira da Foz. Visivelmente fragilizado por uma gripe, não quis deixar de ir prestar homenagem a uma “querida amiga” - um gesto com inequívoco significado político numa altura da campanha presidencial em que boa parte da direção do PS mostrava o seu apoio a Sampaio da Nóvoa

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

(texto)

Jornalista da secção Política

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

(foto)

Fotojornalista

Há muito que não discursava em público. "Há tanto tempo que já não sei fazer discursos, desaprendi", disse o presidente honorário do PS perante uma plateia de pouco mais de uma centena de pessoas que este domingo tinham ido almoçar com Maria de Belém a Buarcos, Figueira da Foz. Ouviram-se "não, senhor" - como é que alguém que fora capaz de algumas das mais brilhantes intervenções na Assembleia da República (e fora dela) perdia o jeito? O histórico socialista reiterou: não iria fazer "um grande discurso" (nem na duração nem no conteúdo). Mas logo explicou: "Quis vir prestar uma homenagem muito sincera a alguém com quem sempre me entendi muito bem". "Até porque, se não viesse, a gripe não ficava bem curada". Bateram-lhe palmas.

Contou que estava a trabalhar em mais um livro, "textos proibidos de Moçambique", prestes a ser editado - deixou aliás o convite para o lançamento, lá para fevereiro. Pretexto para divagar pelos anos em que, de Moçambique, liderou a Oposição Democrática ao regime de Salazar. Confessou reconhecer que Marcello (Caetano) era "um homem muito inteligente" e admitiu ter-se sentido traído por ele.

Falou devagar, num tom moderado, aqui e ali inaudível. "Maria de Belém revolucionou as candidaturas das mulheres portuguesas à Presidência da República. Tinha havido um exemplo único no passado - uma grande senhora também", disse (referindo-se a Maria de Lurdes Pintasilgo). Mas com Belém dizia "sentir uma identificação completa". E previu: "Se não ganhar desta, da próxima ganha de certeza".