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Carlos César lamenta morte de “nosso presidente para sempre”

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José Caria

“Quisemos que ele fosse o nosso presidente honorário, querendo com isto dizer-lhe que ele é, foi e será nosso presidente para sempre”, assim reage Carlos César, atual presidente do PS, à morte de Almeida Santos

O presidente do PS e líder parlamentar socialista Carlos César lembra Almeida Santos como "um combatente pela democracia", "essencial nos equilíbrios gerados" no pós-25 de Abril, e enaltece igualmente as suas qualidades intelectuais e jurídicas.

"António Almeida Santos foi um dos políticos mais presentes na história da nossa democracia. Foi um combatente pela democracia e pelas liberdades públicas, antes e depois do 25 de Abril, em Moçambique como em Portugal", declarou.

Falando aos jornalistas na Assembleia da República, Carlos César lamentou a morte de Almeida Santos, que constituiu "um dia especialmente triste para os socialistas portugueses" e para todos aqueles que com ele conviveram "ao longo de toda a sua vida e em especial no período em que desempenhou funções relevantes na vida política portuguesa".

"Como lembrou António Reis, foi um defensor da via referendária e da realização de eleições livres no figurino do processo de descolonização, o que, como se sabe, se mostrou impraticável, ou melhor, só teve aplicação no caso da República de Cabo Verde", disse.

César sublinhou que Almeida Santos "foi essencial nos equilíbrios gerados imediatamente após o 25 de Abril, participando sucessivamente nos Governos provisórios" e destacou que "desempenhou os mais variados cargos públicos, não só governativos, mas o de líder do grupo parlamentar do PS e da segunda figura do Estado, o de presidente da Assembleia da República".

"Almeida Santos foi um orador admirável, escutado e respeitado dentro e fora do Parlamento, era um jurista de grande mérito e um intelectual com um grande sentido de contemporaneidade. Deixou como jurista e como legislador uma marca muito impressiva, como se pode verificar, na ordem jurídica portuguesa e na ordem constitucional portuguesa", considerou.

Carlos César lembrou também Almeida Santos como "um pedagogo, um conselheiro", que, "na sua bonomia deu corpo a muitas gerações no PS que deram continuidade e sentido renovatório ao PS ao longo destes últimos 40 anos".

"Normalmente, tinha razão ou acabava por ter razão, o que fazia com que lhe déssemos razão, mas Almeida Santos devia essa deferência dos seus contemporâneos às suas enormes qualidades e à determinação proporcional que empregava sempre na defesa das suas convicções e dos seus pontos de vista", disse.

"Quisemos que ele fosse o nosso presidente honorário, querendo com isto dizer-lhe que ele é, foi e será sempre nosso presidente para sempre", sublinhou Carlos César, enviando condolências à família e solidariedade à sua filha, a deputada do PS Maria Antónia Almeida Santos.

O presidente honorário do PS morreu na segunda-feira em sua casa, em Oeiras, com 89 anos, pouco antes da meia-noite, depois de se ter sentido mal após o jantar.

O corpo de António Almeida Santos vai estar hoje, a partir das 17:00, em câmara ardente na Basílica da Estrela, em Lisboa, e será cremado na quarta-feira no cemitério do Alto de São João, também em Lisboa, pelas 14:00.