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Belém: “Socialista candidata sou eu”

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LUCILIA MONTEIRO

No dia em que Sampaio da Nóvoa reuniu 1600 pessoas ao almoço, em Lisboa, Rui Solheiro, secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, veio lembrar ao PS que é "Maria de Belém "a candidata natural dos socialistas". Ela agradeceu e reiterou a mensagem: "Socialista candidata sou eu"

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

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Jornalista da secção Política

Lucília Monteiro

Lucília Monteiro

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Fotojornalista

O restaurante à entrada de Ponte de Barca é pequeno (cerca de 300 lugares) mas já não tem mesas para todos os que responderam ao convite da organização da campanha "Belém 2016" para participar no jantar de apoio à candidata. É domingo à noite, os termómetros marcam poucos graus e o "convívio" custa 15€ por cabeça. "Foi um sacrifício sair de casa, mas tinha de vir. Irrita-me o que o PS está a fazer à Maria de Belém", ouve o Expresso de um dos apoiantes.

Na caravana, há quem ranja os dentes à lembrança do carro de som de Nóvoa que "abalroou" a ação de campanha da manhã, em Cantanhede; há quem faça contas ao dinheiro e à máquina que Nóvoa precisou para juntar mais de 1600 apoiantes ao almoço, em Lisboa. "O que o PS está a fazer a Maria de Belém" é tema que a própria se recusa a abordar. Tem quem o faça por ela: Manuel Alegre, na sexta-feira, e José Vera Jardim, no sábado, referiram-se à "batota" com que alguns setores do PS estão a pôr em prática a orientação (vinda do secretário-geral) de equidistância em relação a Nóvoa e a Belém.

Rui Solheiro, secretário-geral da Associação Nacional de Municípios, segue na mesma linha. Falando no jantar-comício no Minho, o antigo secretário nacional de Seguro para o poder local observa: "Isto começa agora a aquecer. Não há autocarros. Aqui só há voluntários, que estão aqui porque acreditam em Maria de Belém". Quer enviar "uma mensagem aos socialistas". Para lhes dizer que Maria de Belém é que é a sua "candidata natural". E ela agarra a deixa. Quando sobe ao palco reitera: "Socialista candidata sou eu".

"Magistratura de influência, não de interferência"

Foi a principal mensagem política do discurso da candidata que aproveitou o facto de estar numa zona do país de baixa densidade populacional para exortar as virtudes da regionalização ("não conheço nenhum país da União Europeia que se tenha desenvolvido sem uma regionalização competente") e lançar umas farpas sobre Marcelo Rebelo de Sousa: "Eu votei a favor da regionalização. Houve quem não o tivesse feito. Não sei o que pensa agora quem votou contra (em dezembro de 1998). A velocidade de pensamento é tão grande que a rota entre o sim e o não pode passar a vida a mudar".

Pretendendo exercer "uma magistratura de influência, não de interferência", caso seja eleita Presidente da República, Belém entende que o PR tem de intervir nas tarefas fundamentais do Estado. E uma delas é "a correção das assimetrias entre territórios". "Não podemos conformarmo-nos com um país a várias velocidades".

  • “O 25 de abril é que foi o tempo novo. Não há outro”

    Em Coimbra, falando com os estudantes da República da Praça, Maria de Belém voltou a lançar farpas a Sampaio da Nóvoa. E, numa frase que poderia ser lida como uma confissão do que sente por ter avançado para a Presidência sem o apoio do PS, disse: "Às vezes vemos que estamos a imolar-nos. Mas não temos outra forma de estar"