Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Paulo de Morais “evangelizado” em Almada

  • 333

José Caria

Acompanhado por António Manuel Ribeiro, vocalista dos UHF, que é o rosto da sua campanha no distrito de Setúbal, o candidato fez uma caminhada até Cacilhas, com passagem por um mercado biológico e voltou a mostrar-se “confiante num bom resultado”

A manhã acordou fria, em Almada, mas o sol acabou por aquecer a caminhada do candidato Paulo de Morais desde a Praça S. João Batista, até Cacilhas. Acompanhado de perto por António Manuel Ribeiro, o vocalista dos UHF, o rosto da sua campanha no distrito de Setúbal, Paulo de Morais entrou em cafés e lojas para distribuir panfletos, cumprimentou alguns vendedores na Praça do MFA e até lançou um galanteio - porque piropo agora é crime - à vendedora de flores: “Olhem uma flor com tantas flores na mão”.

Ao passar pelas bancas do pequeno mercado biológico, foi “picado” por um comerciante que, em tom de brincadeira e abanando um molho de aromáticas, o chamou: “Senhor candidato, uma salsinha para o corromper”. O candidato sorriu, voltou atrás e ofereceu-lhe um panfleto em troca de nada. Logo a seguir, o ambiente esfriou com a pergunta de Adília Coutinho, 57 anos, “Porque é que só aparecem na altura da aquisição de votos?”. Sem se deixar intimidar o professor universitário explicou que ainda só desempenhou um lugar público e prometeu que, se for eleito Presidente da República, faz exatamente o mesmo que fez no ano anterior: “Estarei aqui daqui a um ano. Tome nota”.

Apesar de ser conhecido nas ruas como “aquele que fala da corrupção”, em terra de comunistas não é fácil desviar votos do candidato oficial do partido. Houve mesmo quem lhe dissesse que “em Portugal é crime ser comunista”, mas que não abdicava de o ser. Sempre sereno, Paulo de Morais amenizou a situação, contando que já ouviu muitas vezes lhe dizerem “sou comunista mas voto em si” e que só não percebe “porque dizem ‘mas’”.

“Deus tem solução para tudo”

Pouco antes de chegar a Cacilhas, onde fez um intervalo na campanha para almoçar, Paulo de Morais parou para cumprimentar um pequeno grupo de homens que o recebeu de braços abertos. “Olha o sr. Paulo! Tudo bem? Estamos aqui a evangelizar, porque Deus tem solução para tudo, abre caminhos”, pregou um dos homens, ao qual o professor universitário se apressou a responder: “Eu estou aqui a fazer política e há coisas que não percebo nem com a ajuda de Deus”. Sem bandeiras, bombos ou grande comitiva e sem comentar sondagens, o candidato lá continuou a sua descida em direção ao rio, “confiante num bom resultado”, como sempre.