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Marcelo sobre o BES. “A justiça vai acontecer”

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José Carlos Carvalho

Uma peixeira em Viseu atirou-lhe com o BES. Marcelo diz que " a justiça vai acontecer”. “Tem que acontecer”.

Mercado municipal de Viseu, uma peixeira inconsolável: " Foram as poupanças de uma vida. Perdi 100 mil euros no BES. Ele (Marcelo )disse na TVI que haviam de nos dar o dinheiro". Marcelo não se atrapalha:"Pensamento positivo. A justiça e' muito lenta, mas aí vai acontecer. Tem que acontecer".

O efeito tarda. "Venho para aqui às seis da manhã para depois virem os grandes e levarem-me tudo? Para mim não é' só o Salgado, ele é uma cobaia. Mas fiquei sem nada".

O candidato omite o Salgado e insiste: pensamento positivo. "Foram assumidos compromissos. Vai haver justiça. Sem dúvida, sem dúvida".

A mulher anima-se:"Se me derem o dinheiro de volta até faço streaptease". Marcelo assusta-se: "Ai, filha! Isso também não".

A visita ao mercado foram quase duas horas de conversa de banca a banca. E' sempre assim, nada de corridas, disponibilidade total.

O cavaquistao, nunca falha, e aqui Marcelo teve mais gente a fazer-se a ele. Os velhos querem conversa e ele compra agriões, queijo, requeijão, doce de abóbora e tremoços. Custa um euro? "E' pouco". Dá dois.

Mas na terra que já foi o símbolo do cavaquismo e do consulado das grandes obras, Marcelo escolheu sobretudo a cultura. Uma visita ao Conservatório de Música da cidade, onde ouve jovens e crianças a tocar guitrarra portuguesa. Educação e Cultura são prioridades que promete inscrever na agenda do seu magistério de influência.

Numa feira de velharias, faz-se à foto ao lado da estátua de Aquilino Ribeiro, escritor e revolucionário. Mas na rua um velho confunde-o com a velha situação: "Olha o Marcelo Caetano". Marcelo não dá corda: "Esse já foi!". E o velho fica para trás.

"Aí gosto tanto de si, e' um sonho, até estou a tremer". Uma jovem comovida abraça o candidato. O candidato passa o dia a abraçar toda a gente.