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Costa para Passos: “O que fez com o défice não o devia divertir nem honrar”

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Marcos Borga

O debate quinzenal desta sexta-feira está a ser marcado pelas acusações entre esquerda e direita relativamente aos casos BES e Banif. Depois dos ataques de António Costa ao antigo primeiro-ministro, o remate de Catarina Martins: “Estamos a ficar sem sistema financeiro nacional”

O novo Governo ainda não apresentou o projeto de Orçamento do Estado para 2016 mas no Parlamento a discussão já se antecipa. O défice estrutural do último e do próximo ano, o peso das contas públicas e as crises no Banif e no BES dominaram o debate quinzenal desta sexta-feira, com a esquerda em peso a atacar o anterior Governo: “O que fez ao défice estrutural em 2015 não o devia divertir nem honrar”, atirou António Costa dirigindo-se a Passos Coelho.

Depois de Passos ter anunciado que se “começam a destapar as intenções por trás das medidas deste Governo”, acusando Costa de procurar acrescentar défice e encargos para os contribuintes, o primeiro-ministro ripostou lembrando que “este Governo tem uma estratégia para fazer diferente, aliás, existe para fazer diferente”.

António Costa atacou a gestão que o anterior Executivo fez do caso Banif, dizendo que o PS “tinha uma leitura conservadora e prudente da evolução da dívida pública” enquanto PSD e CDS, “com ligeireza”, contavam com o encaixe de 3,9 mil milhões de euros que a venda do Novo Banco traria aos cofres do Estado.

Defendendo, perante um Passos Coelho divertido, que foram essas decisões do Governo anterior que trouxeram problemas ao novo Executivo, Costa avisou: “Vejo que o senhor está divertido, mas se há coisa que não o devia divertir é o resultado que conseguiu para o défice estrutural em 2015, nem o devia honrar”. Sobre o défice de 2016, disse Costa, “veremos”, uma vez que até o documento do Orçamento estar apresentado se discutem “abstrações”.

Antes de terminar as respostas dirigidas ao seu antecessor no cargo de primeiro-ministro, uma última farpa: “Os tão por si admirados mercados estão serenos”, lembrou Costa, dizendo que as ações do último Governo constituíram um “péssimo contributo para a confiança dos mercados”.

“Pagamos mais para mandar menos”

Recuperando o tema do peso das crises da banca nas contas públicas, Catarina Martins interveio para comparar as medidas tomadas por este e pelo anterior Executivo: “O esforço que os contribuintes estão a fazer não se compara com o peso estrangulador com decisões sobre o sistema financeiro” pelo Governo de Passos Coelho e Portas, sublinhou a bloquista.

Ao recordar que “o Banif é um banco criado pelo PSD Madeira e arastado por PSD e CDS, mas cujos problemas foram resolvidos por este Governo”, Catarina Martins considerou que a venda do Banif foi “ a sorte grande do Santander”, banco que o comprou. Sobre a venda do Novo Banco, acusações fortes: “São mais 4 mil milhões de dinheiros públicos no Novo Banco. Também vão servir para capitalizar um novo Santander, ou o mesmo Santander?” E rematou: “Pagamos cada vez mais para mandar cada vez menos. Eu diria até que estamos a ficar sem sistema financeiro nacional”.

Às perguntas de Catarina Martins sobre o valor do Banif na altura em que foi vendido, ou seja, sobre o valor que realmente perdemos”, o primeiro-ministro respondeu com a garantia de que a comissão de inquérito entretanto criada para esclarecer o caso vai tirar todas as dúvidas.

  • Apesar da aprovação unânime pela comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, com a recomendação para que as audições se realizem com carácter de urgência, ainda não há uma data definida para o ministro das Finanças e o governador do Banco de Portugal serem ouvidos

  • Banif: António Costa culpa troika e anterior Governo

    Em entrevista ao “Jornal de Notícias” sobre o balanço do primeiro mês de Governo PS, publicada no dia de Natal, o primeiro-ministro realça que a troika esteve “desatenta ao sistema financeiro” e culpa também o anterior Governo pelo caso Banif