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Carlos César. “PSD é agora PRP - Partido Recuperar o Passado”

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José Carlos Carvalho

Numa intervenção, no debate quinzenal desta sexta-feira, em que se concentrou no passado e no resultado das últimas eleições, o presidente socialista deixou críticas à direita: ““Se o PS fizer mais, é esbanjador e facilitista; se fizer menos, é sovina e afinal incumpridor; se mudar, reverter ou fizer diferente, é revanchista”

Reverter, refazer, desfazer: estas foram as palavras de ordem do discurso do presidente socialista Carlos César, que interveio esta sexta-feira no debate quinzenal no Parlamento. Para o também líder parlamentar do PS, as ações do anterior Governo justificam mesmo que se rebatize o PSD como PRP, ou “Partido Recuperar o Passado”, como ironizou.

No discurso em que mais se referiram as últimas eleições legislativas e o processo de formação deste Governo, Carlos César acusou a direita de “levar demasiado tempo a compreender o que se passou e passa e continuar a revelar um estranho entendimento da democracia”. E deu exemplos: “Se o PS fizer mais, é esbanjador e facilitista; se fizer menos, é sovina e afinal incumpridor; se mudar, reverter ou fizer diferente, é revanchista”.

Para o líder parlamentar socialista, “a democracia do PSD e do CDS só serve para estes decidirem e para quem vier a seguir continuar o que eles decidiram”, acusando os partidos de direita de “pouco se interessarem pelo que os outros prometeram”.

Depois de Passos Coelho ter acusado o novo Governo de se ocupar a reverter tudo que o anterior Executivo fez, César respondeu dizendo que os compromissos assumidos pelo PS com os eleitores “implicam desfazer o que foi mal feito, refazer o que foi danificado e fazer o muito que não foi feito” e defendeu que isto significa que “o povo não é revanchista, apenas decidiu mudar, e mudou”.

Em resposta às acusações do líder da bancada social-democrata, Luís Montenegro, que sugeriu que o nome do PS mudasse para PSR - Partido Socialista Revanchista -, César inverteu o jogo de palavras: “É caso para responder que o PSD passou a PRP - Partido Recuperar o Passado”. O presidente socialista deu exemplos de reversões de medidas socialistas levadas a cabo pelo anterior Governo, como a do Simplex ou do programa Novas Oportunidades, que diz terem acontecido por “revanchismo”.

António Costa falou na mesma linha do presidente do PS para dizer que as reversões feitas pela direita no passado se basearam no “ódio”, defendendo que as que o novo Governo está agora a conduzir se distinguem por serem uma “mudança para melhor”.

Já a líder bloquista Catarina Martins apoiou o primeiro-ministro, defendendo que a esquerda “conseguiu acordo porque trabalhou em conjunto e foi coerente”.