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Nuno Melo mantém o tabu: “Amanhã ao meio-dia resolverei a questão”

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Marcos Borga

O eurodeputado recusou responder se seria ou não candidato à liderança do CDS-PP, pois ainda falta “falar com um conjunto de pessoas”. Não considera Assunção Cristas uma adversária e deixou largos elogios a Paulo Portas. “O pior contributo de um futuro líder seria tentar uma imitação”, disse

“Amanhã ao meio-dia resolverei a questão”, respondeu Nuno Melo à questão se será ou não candidato à liderança do CDS-PP. Em entrevista esta quarta-feira à noite na RTP3, o eurodeputado remeteu esclarecimentos para a conferência de imprensa agendada para quinta-feira. Não quis dizer se tem a decisão já tomada e referiu apenas que ainda tem de ter “um conjunto de conversas”.

“Em relação a mim próprio estou na fase negocial. Tenho um conjunto de conversas com certas pessoas, uma delas Assunção Cristas, que tem de ser feitas antes da tomada da minha decisão”, sublinhou Nuno Melo. “A conversa com Assunção Cristas será determinante para a minha decisão”, acrescentou.

O dirigente do CDS disse ainda que tem consciência das suas “circunstâncias dentro do partido” e que considera ter “capacidade” para assumir a liderança. “Porque conheço o partido, porque trilhei da base ao topo, porque já fui a votos... se entender que devo ser candidato serei”, justificou.

Um dos nomes apontados para disputar a liderança com Nuno Melo é Assunção Cristas. “Não a tenho como adversária, mas sim como ativo importante no CDS”, defendeu. Questionado sobre se gostaria de ter a antiga ministra da Agriculturana sua lista, Melo não hesita: “É evidente que sim”.

A Paulo Portas, Nuno Melo deixa largos elogios: “é o primeiro ativo do CDS”, “soube agregar e manter junta a diversidade de que o CDS também é feito” e guiou o partido durante “ciclo de sucesso e crescimento”.

“[Paulo Portas] Saiu quando venceu e principalmente quando o partido queria que ficasse”, acrescentou.

Precisamente pelos 16 anos de liderança de Portas serem tão recentes, Nuno Melo considera que “pior contributo” do futuro líder dos democratas cristãos é tentar “imitar”: “O CDS deve ser tudo, menos o CDS sem Paulo Portos”.

Para os tempos que se avizinham, Melo defende que o partido deve “estar aberto a todas as correntes” e que não pode ser constituído apenas por “quadros” e montras de elitismo”. “Tem que ser verdadeiramente interclassista. Um cidadão comum tem de se rever no CDS”, defendeu.

Um Governo com “legitimidade pragmática” mas sem “legitimidade política”

Ao longo da entrevista, Nuno Melo teceu duras criticas ao Governo de António Costa, que chegou mesmo a acusar de ter ascendido ao poder de forma “que repudia”.

“Hoje o Comité Central do PCP manda mais no Governo do que o Largo do Rato”, disse o eurodeputado. “A legitimidade pragmática [deste Governo], uma vez que tem mais deputado, aceito. Agora da legitimidade politica não”, acrescentou.

Nuno Melo recordou a votação do Orçamento Retificativo, que foi viabilizada pelo PSD e referiu: “Se o Governo dependesse da esquerda, o dr. António Costa já teria caído”.

Sobre as presidenciais, manifestou o apoio a Marcelo Rebelo de Sousa - candidato a que o CDS recomendou o voto - e não exclui a participação na campanha presidencial. “Se me for pedido, iria e terei todo o gosto. Mas não quero prejudicar a campanha do doutor Marcelo”.